Indústrias elevam exportação de leite

Publicado por: MilkPoint

Publicado em: - 4 minutos de leitura

Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 0

De grande importador de produtos lácteos, as indústrias brasileiras têm dado os primeiros e importantes passos para conquistar o mercado externo. A receita com embarques de leite e seus derivados devem encerrar 2001 em US$ 30 milhões, valor três vezes maior que o registrado em 2000, informa a Confederação Nacional da Agricultura (CNA).

Importantes indústrias do setor, entre elas, a Cooperativa Central dos Produtores Rurais (CCPR), dona da marca Itambé, a Cooperativa Central de Laticínios do Estado de São Paulo (Leite Paulista), a Elegê Alimentos, controlada pelo Grupo Avipal, dão mais ênfase às exportações, embora com volumes ainda pouco expressivos.

"Historicamente, o País é importador de produtos lácteos", diz Vicente Nogueira, chefe do departamento econômico da CNA. Os números indicam uma mudança de tendência. Entre janeiro e outubro deste ano, as despesas com produtos lácteos ficaram em US$ 163,6 milhões, 48,6% abaixo do mesmo período de 2000, de US$ 318,4 milhões. 'Em 1995, por exemplo, chegamos a importar US$ 614 milhões', afirma Nogueira.

O excedente de oferta de leite no mercado interno, aliado à valorização do câmbio, estimularam as exportações brasileiras. A produção nacional deve atingir neste ano 21 bilhões de litros, volume 6% maior em relação ao ano passado.

As exportações acontecem ao mesmo tempo que o setor registra quedas expressivas de importação, em virtude da aplicação das tarifas antidumping no leite importado e os acordos de preços assinados com a Argentina, o Uruguai e as principais empresas da União Européia, em vigor desde o início deste ano. Há quase 20 anos o Brasil compra tradicionalmente 2 bilhões de litros de leite do mercado externo.

A abertura de um potencial mercado exportador de lácteos levou a trading paulista SerTrading a criar uma divisão de leites - a Serlac, para intermediar as negociações com as empresas, menciona o diretor-presidente da empresa, Alfredo de Goeye. "Ainda estamos em fase inicial, trabalhando com poucas empresas". A trading tem como clientes a Itambé e a Leite Paulista e fechou contrato para embarcar mil toneladas de leite em pó para Argélia em janeiro.

Neste ano, a Itambé exportou 5 mil toneladas de leite em pó para Argélia, informa o vice-presidente da empresa, Jacques Gontijo. A Leite Paulista também deu o pontapé inicial e fechou o embarque de 50 toneladas de manteiga para a África.

Quarta maior empresa do setor no ranking de 2000, a Elegê Alimentos já tem feito exportações esporádicas e garante que tem condições de se consolidar no mercado internacional, informa o diretor de planejamento e de política leiteira do grupo, Ernesto Krug. Neste ano, a Elegê embarcou 2 mil toneladas de produtos lácteos, entre leite em pó e queijo.

"Estamos ampliando nosso parque industrial, o que deve nos permitir maior produção a partir de 2002", afirma o executivo. Nos últimos quatro anos, a Elegê investiu R$ 93 milhões na expansão de seu parque industrial. Em 2002, serão aplicados mais R$ 21 milhões. A empresa briga pelo terceiro lugar, hoje ocupado pela Itambé, e deve fechar o ano com captação de 800 milhões de litros de leite. A líder é a Nestlé e a vice, a Parmalat.

Ainda fora do mercado externo, a Embaré Indústrias Alimentícias negocia vendas de lácteos para a Coréia, onde a companhia já possui um canal de distribuição para sua linha de doces, menciona o presidente da empresa, Haroldo Antunes. A Embaré deve fechar o ano com captação de 198 milhões de litros de leite e se estabelecer entre as dez maiores indústrias lácteas do País. A Nestlé estaria fechando contratos para exportar seus produtos para o México, diz uma fonte do setor de laticínios.

Nos últimos cinco anos, as principais aquisições do setor de alimentos passaram pelas indústrias de lácteos, mercado em plena expansão no Brasil e com grande potencial de crescimento. O setor de lácteos - que movimenta US$ 4 bilhões por ano no País - tem atraído o capital internacional. Na década de 90, a Parmalat realizou cerca de 20 aquisições, que envolveram dez laticínios e figura hoje como uma das maiores captadoras de leite do País. A Itambé contratou este ano o Banco Pactual para procurar um parceiro forte para continuar seu processo de expansão do setor.

Segundo Jorge Rubez, presidente da Leite Brasil - entidade que representa os produtores de leite - a consolidação das vendas de produtos lácteos no exterior pode ser ameaçada em 2002, caso os preços pagos aos produtores continuem em queda. "Este fator pode provocar a saída de alguns produtores do setor". Nos últimos doze meses, os preços do leite tipo C em São Paulo, Minas e Goiás, principais bacias leiteiras, caíram 11,8%, 15,9% e 16,9%, respectivamente, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). O valor médio do litro do leite C em Minas pago em novembro, referente a outubro, ficou em R$ 0,2694. Em Goiás, R$ 0,2449 e São Paulo, R$ 0,2759.

"Se quiserem conquistar o mercado internacional, as empresas têm que criar vínculo de entrega", diz Rubez. E o Governo Federal deve regulamentar as normas de produção de lácteos antes que este fator se torne um empecilho para a venda do produto brasileiro no exterior.

Os executivos da Elegê e da Embaré afirmam que mantêm política de pagamento diferenciada aos seus fornecedores justamente para evitar o desabastecimento.

"Se a remuneração do produtor não melhorar, provavelmente não haverá excedente de produção suficiente para exportar em 2002", diz Nogueira, da CNA.

Fonte: Gazeta Mercantil (por Mônica Scaramuzzo), adaptado por Equipe MilkPoint
QUER ACESSAR O CONTEÚDO? É GRATUITO!

Para continuar lendo o conteúdo entre com sua conta ou cadastre-se no MilkPoint.

Tenha acesso a conteúdos exclusivos gratuitamente!

Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 0

Publicado por:

Foto MilkPoint

MilkPoint

O MilkPoint é maior portal sobre mercado lácteo do Brasil. Especialista em informações do agronegócio, cadeia leiteira, indústria de laticínios e outros.

Deixe sua opinião!

Foto do usuário

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração.

Qual a sua dúvida hoje?