Indústria e varejo brigam por preço do leite

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Laticínios e varejistas estão travando uma disputa comercial com o início da safra de leite. Abaladas pela crise cambial e pelo alto custo da matéria-prima para esse período do ano, as indústrias pedem reajuste. O varejo resiste argumentando que oferta e demanda estão ajustadas e não há motivo para alta de preço.

Os laticínios temem que uma forte baixa das cotações, característica da safra, desestimule ainda mais a produção e provoque escassez de matéria-prima.

Segundo o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Leite Longa Vida (ABLV), Almir Meirelles, os laticínios estão negociando 15% de reajuste. "Estamos na safra. O mercado está ajustado e o preço é seu melhor termômetro. Se faltar produto, o preço sobe", defende o presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas), Sussumu Honda.

Para Meirelles, os supermercados estão se baseando em uma safra que ainda não existe. Segundo o analista da Scot Consultoria, Maurício Nogueira, a produção deve aumentar nessa safra, mas não de forma expressiva. Normalmente, a diferença de volume entre safra e entressafra é de 15%. Esse ano, não deve chegar a 10%. Entre os motivos estão os baixos preços do ano passado, que desestimularam o produtor, a estiagem das últimas semanas e o forte aumento dos insumos.
Nas contas do presidente da Leite Brasil, Jorge Rubez, o custo de produção subiu 20% desde junho ao produtor. Outra razão é o custo de oportunidade da terra: com a alta da soja e do milho, o produtor arrenda a fazenda.

Outra reclamação de indústrias e produtores é que o varejo está vendendo longa vida abaixo do preço do atacado, para derrubar o mercado. Segundo levantamento da Scot, o preço médio do litro do longa vida no varejo paulista é de R$ 1,27. A cotação mínima fica em R$ 0,99. No atacado, o preço médio é de R$ 1,08 e o mínimo R$ 0,96.

Comissão

Em reunião realizada ontem (17) na Câmara Setorial do Leite, na Secretaria de Agricultura de São Paulo, foi formada uma comissão que vai acompanhar e debater a formação dos preços de leite longa vida no Brasil. Uma das propostas é contratar um instituto de pesquisa que calcule o custo médio de cada elo. A Apas aceitou participar.

O Brasil produzirá 4,1 bilhões de litros de leite longa vida este ano, se posicionando como segundo maior produtor do mundo, atrás da Espanha. O faturamento das indústrias brasileiras será de R$ 3 bilhões. O longa vida responde por 5% do faturamento dos supermercados.

Fonte: Valor On Line (por Raquel Landim) e Gazeta Mercantil (por Luciana Franco), adaptado por Equipe MilkPoint
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Vicencio Lomba Lima
VICENCIO LOMBA LIMA

RIO DE JANEIRO - RIO DE JANEIRO

EM 18/10/2002

É interessante ver dois predadores da cadeia láctea debatendo reajustes de preços. Nada disso é repassado para os produtores. Que falte leite !!!..... na safra minhas vacas estarão todas secas.
Qual a sua dúvida hoje?