No Norte-Nordeste, a lista de preferências é liderada por leite em pó
Os rumos tomados pelo programa Fome Zero começam a permitir projeções sobre seu impacto no setor de alimentos. Na medida em que são escolhidos os caminhos "de mercado", como cupons que possam ser trocados livremente por alimentos, as indústrias se animam com as oportunidades que virão a partir do aumento de demanda. "A dona de casa irá à feira comprar aquilo que está dentro do padrão de consumo dela", prevê Denis Ribeiro, diretor do departamento de economia da Associação Brasileira da Indústria de Alimentação (Abia).
A julgar pelos hábitos de consumo da região Norte-Nordeste - a mais pobre do país e visitada pelos novos ministros na semana passada -, de posse dos prováveis cupons, as famílias vão dar preferência a produtos como leite em pó, farinha para mingau, margarina, biscoitos, açúcar, café, óleo, macarrão e refrigerante. Estes são os alimentos com maior índice de penetração na região, segundo o instituto de pesquisa LatinPanel Ibope, entre as 70 categorias estudadas pelo instituto no ano passado.
Todos esses produtos estão presentes em mais de 80% dos lares da região. As diferenças dessa "cesta básica" em relação a de regiões mais ricas do país revelam hábitos formados pela necessidade de uma alimentação com baixo custo, com produtos, por exemplo, que não precisam de geladeira para serem conservados. "Existem especificidades dessa região, como as halvarinas (margarinas que podem ser conservadas fora de refrigeração) e os biscoitos básicos, mais baratos", conta Ana Cláudia Fioratti, diretora comercial do instituto. De outro lado, lembra ela, a baixa penetração de produtos mais elaborados sinaliza com o imenso potencial da região para a indústria de alimentos.
Outro estudo inédito, da Abia, estima o potencial do Fome Zero sobre o setor: um aumento de 7% a 8% na demanda, até atingir o pico do programa, em dois anos. Para chegar a esse número, o economista Denis Ribeiro utilizou as estimativas do ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, de um aumento de 3 milhões de hectares de produção agrícola, necessário para atender a um aumento de 15% na demanda. Como a indústria processa metade da produção agrícola, a Abia acredita que o impacto no setor de alimentos industrializados começaria a aparecer no segundo semestre deste ano.
"É um aumento interessante para a indústria, mas não será preciso construir fábricas novas e ninguém está fazendo investimentos para atender a essa demanda", diz Ribeiro. "Basta usar a capacidade ociosa." A Abia se ressente de não ter sido chamada pelo governo para participar dos estudos do programa e defende os caminhos "desburocratizados e de mercado", sem uso de estoques reguladores ou distribuição de cestas básicas.
O estudo do LatinPanel, que é vendido com detalhes para empresas interessadas em investir na região Norte-Nordeste, aponta algumas categorias de produtos com potencial de aumento de consumo na área: iogurte, queijo, achocolatado em pó e leite condensado. Em 52% das categorias pesquisadas, a penetração na região é menor do que a média no Brasil.
Fonte: Valor Econômico (por Marta Barcellos), adaptado por Equipe MilkPoint
Indústria de alimentos espera crescer até 8% com o Fome Zero
Publicado por: MilkPoint
Publicado em: - 2 minutos de leitura
QUER ACESSAR O CONTEÚDO?
É GRATUITO!
Para continuar lendo o conteúdo entre com sua conta ou cadastre-se no MilkPoint.
Tenha acesso a conteúdos exclusivos gratuitamente!
Publicado por:
MilkPoint
O MilkPoint é maior portal sobre mercado lácteo do Brasil. Especialista em informações do agronegócio, cadeia leiteira, indústria de laticínios e outros.