Os produtores de milho podem ficar sem zoneamento agrícola para o plantio da safrinha, o que inviabiliza a possibilidade de seguro da produção. A medida foi pedida ontem (05) pelos agricultores, mas pode não haver tempo hábil de aprovação. Há ainda incerteza quanto à aceitação, por parte da equipe econômica, das medidas de incentivo como aumento do limite de crédito e o lançamento de contratos de opções.
O secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Ivan Wedekin, disse não acreditar que o trabalho técnico do zoneamento esteja concluído para esta safra. O plantio do grão, em estados tradicionais como o Paraná e São Paulo, só poderá ocorrer até o final do mês de março. "Creio que não dê tempo", afirmou.
Wedekin, acredita, porém, que apesar de não poderem segurar a produção, os produtores estão estimulados porque o preço do grão está alto. O governo prevê que a safrinha atinja oito milhões de toneladas.
Durante o encontro de ontem, os técnicos das secretarias estaduais de agricultura do Paraná e de São Paulo apresentaram o zoneamento nestas localidades para que sirva de modelo ao ministério.
"Queremos definição até a próxima semana", disse o gerente da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Nelson Costa. Segundo o técnico, como a colheita da soja está atrasada, o cultivo do milho pode começar imediatamente. O estado pode plantar 1,2 milhão de hectares de milho este ano, com colheita prevista de três milhões de toneladas.
O secretário-executivo do ministério, José Amauri Dimarzio, disse que esperava urgentemente a aprovação das medidas de apoio ao grão, pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de forma extraordinária. O ministério havia proposto que o limite do custeio fosse dobrado e fosse criada linha de financiamento da estocagem a preços de mercado. Na reunião do dia 30, os técnicos do CMN porém pediram mais informações sobre as medidas.
Ele disse que havia dúvida de técnicos da área econômica sobre a eficácia das medidas, uma vez que o governo poderia vir a taxar as exportações de milho e autorizar importação do cereal transgênico para garantir o abastecimento. "Espero que seja aprovado o mais rápido possível. Se não, será ruim para o País e o ministério não vai se responsabilizar pelo desabastecimento e estouro de preços".
Para Dimarzio, é preciso que o governo sinalize uma política para o setor de modo que, em até três anos, o Brasil esteja colhendo 50 milhões de toneladas do grão e exportando oito milhões de toneladas. A idéia do governo é, ainda este ano, ter estoque estratégico de dois milhões de toneladas para garantir o abastecimento do Nordeste.
Fonte: Gazeta Mercantil (por Neila Baldi), adaptado por Equipe MilkPoint
Incertezas continuam com relação à safrinha de milho
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