As indústrias e os produtores vivem novo impasse no acordo do leite. Numa atitude unilateral, o Sindicato das Indústrias de Leite de Goiás (Sindileite) propôs ontem (15) ao Conselho Deliberativo do Programa de Industrialização de Goiás (Produzir) e do Fomentar a prorrogação de 180 dias do prazo para assinar o contrato com os pecuaristas, onde estipula-se a data e o preço que será pago sobre o produto a ser coletado no mês subseqüente. O prazo para as indústrias que têm benefícios do Fomentar assinarem contratos com os pecuaristas venceu no último dia 13.
A alegação do Sindileite é que o período de 20 dias, entre a data em que foi assinado o acordo até o dia 13, era insuficiente para mais de 30 mil produtores autorizarem, por escrito, suas entidades representativas a assinar os contratos com os laticínios. A entidade garante que as indústrias não querem polemizar com os pecuaristas e a proposta feita ao Conselho do Produzir visa resguardar as duas partes.
Incoerência
Para tentar acalmar os ânimos e evitar um confronto, o secretário de Indústria e Comércio e presidente do Conselho Deliberativo do Produzir/Fomentar, Mozart Soares Filho, propôs uma reunião entre os representantes dos dois segmentos para a próxima segunda-feira (19). Será discutida a possibilidade de prorrogação do prazo para começar a valer o acordo.
A Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) considerou incoerente a atitude dos representantes das indústrias de propor o adiamento do prazo para cumprir o acordo com os produtores. O diretor da entidade, Guilherme Lourenço, lembrou que as negociações entre as duas partes se arrastaram por sete meses. No dia 23 do mês passado foi assinado o acordo numa solenidade que contou, inclusive, com a presença do vice-governador Alcides Rodrigues.
"Agora, sem qualquer consulta prévia, a indústria apronta essa armadilha para cima de nós", reclama. Ele considerou muito tempo o adiamento de 180 dias para as indústrias começarem a assinar os contratos com os produtores e espera que, até o próximo dia 25, elas sinalizem o valor que pagarão pelo litro de leite no mês de setembro, conforme estipula o acordo firmado pelas duas partes.
Acordo
O acordo, inédito, firmado no mês passado entre indústrias e produtores de leite goianos, prevê a definição do valor de compra do leite in natura antes da virada do mês em que o produto será fornecido. A previsão era de que os primeiros contratos fossem assinados nesta semana, para vigorar a partir de setembro, com prazo de validade de um ano.
A atividade leiteira goiana envolve 60 mil pecuaristas. Goiás é o segundo produtor nacional, com 2,5 bilhões de litros/ano, garantindo uma receita de R$ 660 milhões. No Estado, existem mais de 500 indústrias de laticínios, porém apenas cinco delas são responsáveis pela compra de 55% do total produzido.
Fonte: O Popular/GO, adaptado por Equipe MilkPoint
Impasse no acordo do leite em Goiás
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