A intolerância à lactose era uma condição comum em quase todos os ocupantes da Europa. Os cientistas estimam que foi apenas durante a Idade do Bronze que esse cenário começou a mudar. Esse processo é associado à disseminação de uma mutação genética que permitiu a humanos adultos produzirem lactase, a enzima responsável por decompor a lactose no organismo.
Apesar disso, há evidências de consumo de laticínios durante o Neolítico, como ossos de animais com padrões de morte esperados para rebanhos leiteiros, lipídios lácteos em vasos de cerâmica e proteínas lácteas em cálculos ou placas dentárias antigas. Daí surgiu a ideia de investigar esses objetos que poderiam ter sido utilizados para armazenar leite ou produzir seus derivados.
A equipe constatou nas cerâmicas altos teores de coalhada, que permitiram aos especialistas deduzir que a fabricação de queijos realmente existiu na região em um contexto histórico anterior àquele imaginado inicialmente. Em comunicado à imprensa, Harry Robson, autor do estudo, afirma que “esses resultados contribuem significativamente para nossa compreensão dos primeiros agricultores da Europa Central”.
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“Embora pesquisas anteriores já tenham demonstrado que os produtos lácteos estavam disponíveis em algumas regiões europeias durante esse período, aqui, pela primeira vez, temos evidências claras de um rebanho leiteiro diversificado”, destaca o pesquisador, que atua no Departamento de Arqueologia da Universidade de York, no Reino Unido.
As investigações do conteúdo das cerâmicas foram realizadas por meio de análises proteômicas e lipídicas multifita. Nesses métodos, os cientistas comparam a proporção de proteínas da coalhada encontrada nos vasos de cerâmica a dados proteômicos modernos.
As informações são da Revista Galileu, adaptadas pela equipe MilkPoint.