Guerra no Oriente Médio pressiona Frimesa a reajustar preços em 3%

O preço do petróleo disparou nas últimas semanas. O combustível é matéria-prima crucial para a cadeia de plástico, usado em embalagens dos produtos da empresa. A Frimesa é uma grande fabricante de lácteos e produtos de suínos no país. Ao todo, a marca comercializa 563 itens diferentes, sendo 371 em carnes e 192 em lácteos.

Publicado por: MilkPoint

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A Frimesa, cooperativa de alimentos do Paraná, aumentou em 3% os preços de seus produtos devido ao impacto da guerra no Oriente Médio, que elevou os custos do petróleo e do plástico. O aumento no frete e nas embalagens também contribuiu para essa elevação. A empresa, que faturou R$ 7 bilhões em 2025, planeja alcançar R$ 15 bilhões até 2032. Com investimentos em São Paulo e reposicionamento de produtos, a Frimesa busca ampliar sua capacidade de processamento de suínos e expandir no mercado.
A Frimesa já sente os impactos da guerra no Oriente Médio nos custos de produção. A companhia, resultante de uma cooperativa de alimentos do Paraná, diz que o “efeito guerra” a fez subir em 3% o valor de seus produtos.

O preço do petróleo disparou nas últimas semanas. O combustível é matéria-prima crucial para a cadeia de plástico, usado em embalagens dos produtos da empresa. A Frimesa é uma grande fabricante de lácteos e produtos de suínos no país. Ao todo, a marca comercializa 563 itens diferentes, sendo 371 em carnes e 192 em lácteos.

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“O efeito do [aumento] do combustível é na veia. Os fretes já aumentaram 7% e representam 6% da nossa matriz de custos. Isso significa 0,5% no valor para o consumidor final”, diz Elias José Zydek, presidente da Frimesa. “Nós também usamos muito plástico e a embalagem teve aumento de 25%. Ela representa 10% da nossa matriz de custos. O impacto direto no preço final é de 2,5%. Ou seja, eu tenho de aumentar os preços em 3% só para cobrir o efeito da guerra.”

“Todo aumento de custo que nós temos, a gente acaba repassando. Não tem como absorver. Hoje, está tudo muito ajustado”, diz Zydek. “A cadeia produtiva precisa repassar 5% dos preços para recompor margens e cobrir os custos no curtíssimo prazo. A embalagem tem um efeito imediato sobre os nossos custos.”

Composta por cinco cooperativas, a Frimesa apresentou uma receita de R$ 7 bilhões em 2025, alta de 7% sobre o ano anterior. A projeção é encerrar este ano com faturamento acima de R$ 8 bilhões. A ideia é que a marca chegue a R$ 15 bilhões em receita até 2032. A companhia é a quarta maior produtora de carne suína no Brasil, atualmente, atrás de MBRF (a empresa resultante da fusão entre BRF e Marfrig), Aurora e JBS, por meio da marca Seara.

Após investir R$ 1,35 bilhão para aumentar a capacidade de sua fábrica de processamento de suínos em Assis Chateaubriand (PR), a companhia elegeu São Paulo como um mercado estratégico para ganhar receita. Hoje, a unidade fabril abate mais de 7.000 suínos por dia, mas a ideia é que o espaço dobre sua capacidade de processamento em breve e atinja a marca de 23 mil suínos por dia em 2032.

“A planta ainda precisa de alguns investimentos. Vamos investir em torno de R$ 150 milhões em máquinas e equipamentos, mas a parte de construção civil está pronta”, afirma o presidente da Frimesa.

Zydek aponta que São Paulo é um mercado estratégico também por sua proximidade com o Paraná, pelo poder aquisitivo do estado e pela escala nacional. Desde o fim de 2025, a companhia estampa a marca na camisa do Corinthians, um patrocínio que não teve valores divulgados, mas já foi renovado até o fim deste ano.

A companhia, que anunciou investimento de cerca de R$ 120 milhões para o reposicionamento de seus produtos nos supermercados, contratou duas consultorias para um projeto para repaginar os produtos da marca. A ideia é ter cores mais vibrantes no portfólio. Na linha de lácteos, foram introduzidos novos produtos para a linha zero açúcar, impulsionada pela tendência das canetas emagrecedoras, como Ozempic e Mounjaro.

O executivo estima que o câmbio de equilíbrio ideal para a operação seria que o dólar figurasse na casa de R$ 5,30, um pouco acima do patamar atual. “O câmbio está nos prejudicando. Ajuda a quem importa, mas prejudica quem exporta”, aponta ele, que ainda espera por uma redução mais acentuada da taxa Selic no país — a inflação, no entanto, voltou ao radar com a escalada da guerra e pode prejudicar a queda dos juros.

As informações são do Bem Paraná, adaptadas pela equipe MilkPoint.

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