A guerra de preços no leite longa vida mudou o setor. Antigas empresas, como Itambé e Vigor, se afastaram desse mercado e passaram a apostar em outros produtos para melhorar suas margens. Outras, com mais fôlego, como Parmalat e Danone, mantêm seus preços na busca de sustentar a margem nessa commodity e também partem para a criação de novos produtos como forma de ampliar a receita. Os espaços que se abrem são logo ocupados por pequenos ou médios laticínios. Alguns já despontam como grandes fornecedores a supermercados com marcas até pouco tempo desconhecidas do público, como Líder e Italac.
Quando foi lançado pela italiana Parmalat no início dos anos 90, o longa vida conquistou uma participação no mercado de leite fluído de 4,4%. Em 2001 já respondia por 73,3%. Hoje, mais de 100 laticínios estão no negócio.
Dona da marca Italac, a Goiasminas, lançou seu longa vida em 1998 e ocupa hoje a quinta posição em vendas do país. Captando leite em Goiás, Minas, Pará e Rondônia, a Italac é forte no mercado paulista, ocupando a segunda posição na capital e a terceira no interior. Nessa última região, é superada por outro nome que pouco era visto: o Laticínio Nova Esperança do Paraná, que possui a terceira marca mais vendida do país, a Leite Líder.
Com seis anos de vida e apostando na atuação regional, a Líder usou o longa vida como motor de crescimento. Em 2001, 85% de seu faturamento de R$ 180 milhões vieram desse produto. Mas mesmo ela já busca diversificar e reduzir essa dependência. "Vamos entrar pesado em queijos e completar a linha de iogurtes e requeijão", garante o diretor José Assumpção Bucci Casari.
"A concorrência está muito pesada", confirma o vice-presidente do Grupo Vigor, Vinícius Vieira Ramos. A empresa decidiu, na baixa de preços do ano passado, reduzir em 20% a produção de longa vida, para oito milhões de litros mensais. Com isso, a marca Leco perdeu a posição de segunda mais vendida na Grande São Paulo para a Italac, de acordo com dados ACNielsen de abril/maio. Segundo Ramos, a Vigor passou a dar prioridade para outros produtos, como iogurtes e leite fermentado.
O ano de 2001 começou com o litro do leite vendido a R$ 0,76 em média, no mercado paulista. Terminou com a média de R$ 0,84. Com a saída de algumas empresas, melhor administração de estoques pelas grandes e redução da oferta de matéria-prima, neste ano, os preços voltaram para a casa de R$ 1, o que melhora a margem.
A baixa do ano passado foi decisiva para a Cooperativa Central dos Produtores Rurais de Minas Gerais (CCPR/Itambé). Decidiu cortar a produção em 85%, passando de 20 milhões de litros/mês em 2000 para três milhões neste ano. A opção foi simples: "temos produtos mais rentáveis", diz o vice-presidente da cooperativa, Jacques Gontijo, que está apostando mais em iogurte, leite condensado e leite em pó.
Embora também sofram com as baixas margens, as multinacionais criaram novas estratégias. "As grandes empresas estão trabalhando melhor o estoque e tentando "descommoditizar" o produto", acredita o analista da Scot Consultoria, Maurício Nogueira. A Parmalat, que não deu entrevista, criou o Natura Premium na tentativa de agregar valor com embalagem e marca novas.
A opção é parecida na Danone. Embora não seja o foco da francesa, o longa vida veio com a compra da Paulista em 2000, a empresa não pensa em parar, "mas nossa idéia é crescer de forma sustentável", diz a gerente de assuntos corporativos, Sandra Rietjens. O primeiro passo foi dado com o lançamento do leite UHT achocolatado Danette.
O mercado de longa vida deve voltar a crescer em 2002. Para a Associação Brasileira de Leite Longa Vida (ABLV), a produção deve subir de 3,95 milhões de litros em 2001 para 4,1 milhões. Dos grandes laticínios, a Elegê é a única a anunciar investimentos, com US$ 30 milhões gastos na ampliação da fábrica de Languiru (RS).
Fonte: Valor On Line (por Raquel Landim), adaptado por Equipe MilkPoint
QUER ACESSAR O CONTEÚDO?
É GRATUITO!
Para continuar lendo o conteúdo entre com sua conta ou cadastre-se no MilkPoint.
Tenha acesso a conteúdos exclusivos gratuitamente!
Publicado por:
MilkPoint
O MilkPoint é maior portal sobre mercado lácteo do Brasil. Especialista em informações do agronegócio, cadeia leiteira, indústria de laticínios e outros.