O governo vai expandir o programa Fome Zero para 180 cidades do semi-árido até julho, disse ontem (04) o assessor especial da Presidência Carlos Alberto Libânio Christo, o Frei Betto. A meta é alcançar mil municípios até o fim do ano. Nos próximos dias, o ministro extraordinário de Segurança Alimentar, José Graziano, deve anunciar medidas de emergência para atender famílias de acampados à espera de reforma agrária, aldeias indígenas e comunidades quilombolas. Ainda, a curto prazo, outras oito cidades do Nordeste deverão entrar no programa.
"Vamos começar a atender as famílias acampadas, mas isso é um programa emergencial. O programa só vai sair mesmo na hora em que essas famílias estiverem assentadas e produzindo", explicou ele, durante a visita a Acauã, a 470 quilômetros de Teresina (PI), onde lançou o segundo projeto piloto do Fome Zero. Na cidade, 500 famílias serão beneficiadas pelo cartão-alimentação e terão direito a R$ 50,00 por mês, a partir do dia 27.
O dinheiro só pode ser gasto com alimentação e as despesas precisam ser comprovadas mensalmente. Famílias que ficarem três meses sem prestar contas serão descredenciadas.
Antes de expandir o programa para 180 municípios, o governo estuda lançar pilotos em oito Estados. A idéia é selecionar uma cidade atingida pela seca em Minas, Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará, mobilizando os governos estaduais para que seus moradores sejam contemplados com o cartão-alimentação.
Graziano explicou que o programa terá outro formato nas grandes cidades. O cartão-alimentação, por exemplo, deve funcionar como um cartão de débito automático para a compra direta em supermercados, sem a possibilidade de saque do dinheiro.
Estão previstos também restaurantes populares. O governo avalia que incentivará a economia local e a criação de empregos ao restringir os gastos a alimentos. "Gerar emprego e renda no local é que vai resolver o problema em definitivo", disse Graziano.
O ministro quer organizar feiras livres na época de pagamento do benefício para aumentar a variedade de alimentos disponíveis. A falta de opções, além do trivial feijão com arroz, mandioca, milho e macarrão, é apontada como uma das causas da desnutrição em cidades pobres.
Cooperativas já doaram 4 mil toneladas
O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, reuniu-se ontem (04) com o coordenador do programa de arrecadação da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Luiz Roberto Baggio, e admitiu que ainda não está pronta a estrutura para fazer com que essas doações cheguem aos brasileiros carentes.
Informou, porém, que o Ministério da Segurança Alimentar está cuidando disso. "O esforço do governo é para que esses alimentos cheguem a quem precisa o mais rápido possível", afirmou Rodrigues, acrescentando que seu ministério é linha auxiliar do programa.
Fonte: O Estado de São Paulo (por Demétrio Weber e Fabíola Salvador), adaptado por Equipe MilkPoint
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