Governo da Argentina faz acordo com cinco companhias de lácteos para evitar aumentos do leite

Publicado por: MilkPoint

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Em uma tentativa de conter os aumentos no preço do leite, o Governo da Argentina firmou um acordo com cinco empresas do setor lácteo. Segundo o acordo, as empresas produtoras se comprometeram a retroceder a valores praticados em fevereiro - por um período de 90 dias - o nível de preços do leite fluido fresco e, em alguns casos, também do leite longa vida. No entanto, esta medida não se estende a outros produtos lácteos.

As empresas que assinaram o acordo foram SanCor, Milkaut, Verónica, Molfino (produtos La Paulina) e Williner (Ilolay). A La Sereníssima, uma das líderes de mercado na Argentina, não firmou o acordo.

Desde primeiro de março, algumas empresas aumentaram seus preços entre 6% e 8%, após ter chegado ao fim do acordo feito anteriormente para conter os aumentos. Até o mês passado, segundo o Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (INDEC), o litro de leite integral em saquinho (de aproximadamente 1,30 peso (US$ 0,41)) sofreu aumentos de 67,9% desde a desvalorização.

Talvez por se tratar de um produto tão importante, especialmente quando a metade da população está abaixo da linha da pobreza, o ministro da Economia da Argentina, Roberto Lavagna, destacou, enquanto se firmava o acordo, que a medida "faz parte de um conjunto de ações para assegurar que os produtos da cesta básica tenham a máxima estabilidade de preços". O ministro lembrou também que, nos últimos três meses, o índice inflacionário na cesta básica foi inferior ao Índice de Preços ao Consumidor (IPC) que acumula 43,6% desde dezembro de 2001.

Pré-financiamento

Em troca do compromisso das empresas, o Governo argentino pôs em andamento um crédito para pré-financiar as exportações de lácteos com fundos aportados pelo Banco de Investimento e Comércio Exterior (BICE), com uma quantia inicial de US$ 10,7 milhões. Este fundo terá duração de 12 meses e, segundo o presidente do Banco Nação - que também participará do processo -, Horacio Pericoli, "contribuirá com a penetração do setor no mercado internacional". Atualmente se exporta entre 15% e 20% da produção. Em 1999 e 2000, a produção de leite foi de 10,5 bilhões de litros. E caiu - com o fechamento de 20% das propriedades leiteiras - para 7,5 bilhões em 2002.

Desta forma, as empresas que participaram do acordo e tinham subido os preços de seus produtos desde primeiro de março, vão agora frear estas altas. Porém, não se sabe o que acontecerá com o resto do mercado.

Durante a assinatura do acordo estiveram presentes também o ministro da Produção, Aníbal Fernández, o secretário de Política Econômica, Oscar Tangelson, o vice-secretário de Programação Econômica, Daniel Novak, o presidente do Banco Nación, Horacio Pericoli, e do BICE, Arnaldo Bocco. Os representantes das empresas foram Jorge Strika (SanCor), Alejandro Espiñeira (Verónica), Hernán Marenco (Molfino), Rodolfo Galloni (Williner) e Miguel Benvenutti (Milkaut).

Ao final do evento, as indústrias justificaram o constante aumento do custo do leite pela baixa de 20% da produção, pela "queda do consumo, que passou de 240 litros per capita para 160 litros", e pelo aumento dos preços internacionais. Benvenutti disse também que houve influência do "fator climático, especialmente na Província de Buenos Aires, onde ocorreram inundações".

No entanto, segundo a representante da entidade Consumidores Argentinos, Patricia Vaca Narvaja, este convênio "não acrescenta nada à formação do preço do leite, que já está alto. Além disso, ratifica as margens destorcidas de lucros das cadeias e da indústria".

Produtores de leite rechaçam acordo

O presidente da União Geral dos Produtores de Leite da Argentina, Guillermo Draletti, classificou como "uma piada" o acordo firmado pelas empresas leiteiras com o Governo nacional para conter o preço do leite.

"Eles nos jogam a culpa do aumento dos produtos lácteos e os produtores de leite não participam de nenhuma reunião", disse o dirigente rural em declarações feitas a rádios. Além disso, ele disse que o acordo faz parte de uma negociação que as indústrias produtoras de queijos estão fazendo para fixar o preço do leite de saquinho, "realmente algo insólito, uma piada".

Draletti advertiu que o governo tenta "dividir o setor leiteiro", e explicou que quem firmou este acordo são somente "quatro ou cinco empresas de Santa Fé que vendem o queijo a preço de ouro e estão exportando leite em pó em dólares. Desta forma não se pode trabalhar".

"Não sei se voltarão a ser tomadas metidas de força. Mas se os valores ao produtor não chegarem a uma participação no preço final que tem que ser de 40%, pelo menos, ou se elevar o preço a 50 centavos o litro, que é o equivalente na porteira da fazenda, não haverá aumento na produção de leite no país".

Em 13/03/03 - 1 Peso Argentino = US$ 0,32051
3,12000 Peso Argentino = US$ 1 (Fonte: Oanda.com)


Fonte: El Clarín (por Natalia Muscatelli) e La Capital, Rosario - Santa Fé, adaptado por Equipe MilkPoint
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