Governo da Argentina estuda medidas para evitar importações de lácteos

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O ministro da Produção da Argentina, Aníbal Fernández, reconheceu que o Governo do país tem "em estudo" uma potencial redução dos direitos de exportação (retenções) para os produtos lácteos, além de uma possível adoção de aumento de tarifas de importação extra-Mercosul, com o objetivo de desencorajar as importações de lácteos no país. Nas reuniões do setor leiteiro das províncias argentinas, foi citado o aumento da tarifa de importação para 27%, similar à que se aplica no Brasil.

Apesar de esperarem anúncios mais concretos por parte do governo durante o encontro que tiveram com Fernández na Sociedade Rural de São Francisco, cerca de 200 produtores de leite da Argentina das províncias de Córdoba, Santa Fé, Buenos Aires, Entre Ríos e La Pampa reconheceram a predisposição governamental em ouvir as demandas e inquietações do setor, que busca uma recuperação da prolongada crise pela qual está passando.

Fernández, juntamente com o secretário da Agricultura da Argentina, Haroldo Lebed, e o presidente do Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar (Senasa), Bernardo Cané, participou da última reunião anual da mesa interprovincial do setor leiteiro, que contou com a presença também dos secretários da Agricultura de Córdoba e Santa Fé, Gumersindo Alonso e Oscar Alloatti, respectivamente, bem como com do diretor do Programa Nacional de Política Leiteira, Juan Linari.

"Não trago nada; venho discutir com aqueles que sabem. Do meu ministério, tratei de divulgar a nível nacional o problema do setor leiteiro. O Estado não pode desconsiderar o fato de que existem distorções no mercado, que boa parte da capacidade instalada das empresas está trabalhando de forma ociosa e que está havendo perda genética. É por isso que viemos acompanhar a gestão da mesa interprovincial do setor", disse Fernández.

De concreto, o ministro argentino disse que conversou com autoridades do Banco da Nação e do Banco da Província de Buenos Aires, com o propósito de programar um refinanciamento de passivos para produtores, através de um acordo com o Banco de Investimentos e Comércio Exterior (Bice).

No documento elaborado pelos produtores que integram as mesas provinciais foi advertido que "a produção não se responsabiliza pela atual situação e por suas conseqüências futuras, sendo que é a principal afetada". Também foi ratificada a necessidade de continuar com a atual metodologia de trabalho interprovincial, "mas é preciso que, para isso, se encontre uma solução urgente ao problema da rentabilidade da produção", enquanto advertem que o setor "se opõe a qualquer tipo de importação de lácteos".

Os produtores argentinos que participaram da reunião e da elaboração do documento também demandam que os acordos em curso sejam inseridos em uma lei que permita abrir o caminho a um ordenamento definitivo do setor leiteiro argentino. Eles solicitaram ao Governo nacional e aos provínciais "a adoção urgente de definições com relação aos temas que permitam a obtenção de uma clara política do estado para o setor leiteiro".

Fonte: La Voz do Interior (por Alejandro Rollán), adaptado por Equipe MilkPoint
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