Os produtores de leite de Goiás tiveram reajuste de preço no mês de julho superior à média nacional. Naquele estado, a concorrência entre os laticínios está acirrada, provocando uma variação de 12,48%, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Universidade de São Paulo (USP). De acordo com a pesquisa, o pecuarista goiano passou a receber R$ 0,38 por litro ante aos R$ 0,33 do mês anterior. É o terceiro maior preço do País.
De acordo com o levantamento do Cepea/USP, neste período do ano sempre há aumento de preço porque é entressafra. Além disso, a escassez do leite no mercado brasileiro tem estimulado a concorrência entre os laticínios, forçando a elevação da cotação. No entanto, há dificuldade das indústrias em repassar estes preços ao consumidor, fazendo com que na maioria dos estados a alta não seja tão acentuada.
A situação de Goiás, no entanto, é diferenciada. No mês de julho, os preços médios brutos recebidos pelos produtores de leite tipo C (referentes ao produto entregue em junho) foram 3,97% superiores aos de junho, ficando a R$ 0,36/litro na média nacional. O pesquisador do Cepea, Leandro Ponchio, diz que naquele estado há maior número de laticínios com decréscimo na quantidade de pecuarista, por isso ocorre uma disputa mais acentuada pelo produto. Além disso, segundo Ponchio, houve uma redução de até 7% na produção de leite durante a entressafra.
Outro motivo de aumento é a cotação antecipada pelo produto, um modo de a indústria incentivar a produção, uma vez que se estima que Goiás sofreu, no último período, uma redução de até 40% no número de produtores. O pesquisador diz que um mercado consumidor maior, como o caso de São Paulo, influencia na variação do preço pago ao produtor. Em Campinas (SP), por exemplo, houve uma queda de produção de 2%, sem variação no valor pago ao pecuarista.
Números da federação
A alta apontada pelo Cepea não é verificada pela Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg). O diretor da federação, Guilherme Lourenço, diz que não houve esta variação no preço pago ao produtor e reclama que o pecuarista goiano está recebendo quase o valor gasto com a produção. Segundo ele, a indústria paga entre R$ 0,36 a R$ 0,43 por litro, para um custo de R$ 0,38 a R$ 0,40 por litro. Os baixos preços têm desestimulado a atividade no Estado. Apenas a Centroleite reduziu de 600 mil litros para 480 mil litros captados por dia (queda de 20%). "Para fazer renda, o produtor tem se desfeito do rebanho", afirma.
Para compensar a falta de produto no mercado interno, as importações de leite em pó e soro têm crescido significativamente. O volume de leite em pó importado no primeiro semestre do ano é de 51,1 mil toneladas, ou seja, já atingiu 95,47% do total comprado em todo o ano 2001. A importação de soro, no período, aumentou 18,87%. "Há indícios de que este soro está ocupando o lugar do leite brasileiro, ou seja, havendo uma adição ilegal do produto no longa vida", denuncia Lourenço. O diretor da Faeg disse que nos próximos dias as entidades de classe devem formalizar a denúncia no Ministério da Agricultura, Pecuária e do Abastecimento (Mapa).
Fonte: Gazeta Mercantil, adaptado por Equipe MilkPoint
Goiás tem o maior reajuste de preços segundo o CEPEA/USP
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