Segundo a Scot Consultoria, há cinco meses a cotação do leite goiano supera o preço pago nas demais principais bacias produtoras. O produtor local recebeu pelo leite produzido em julho e pago em agosto R$ 0,392 por litro, ante R$ 0,379 em Minas Gerais, R$ 0,357 em São Paulo. O Rio Grande do Sul é o lado oposto da moeda. Com apenas duas grandes empresas atuando no mercado, a gaúcha Elegê e a italiana Parmalat, o Estado registra o menor preço do país: R$ 0,353.
"Há duas razões para a mudança em Goiás: concorrência e organização", diz o professor da Universidade de São Paulo (USP), Luiz Fernando Laranja. Em 1995, o governo de Goiás criou o Fomentar, que hoje se chama Produzir. Desde então, os laticínios que se instalam no Estado passaram a contar com 70% de isenção do Imposto sobre Circulação de Mercadorias (ICMS) por 15 anos. Por outro lado, o governo concedeu financiamentos aos produtores para compra de matrizes e equipamentos. Assim, e também ajudada pelos baixos preços do milho e da soja no Estado, a produção goiana de leite cresceu rapidamente, saltando de 1,4 bilhão de litros em 1995, para 2,4 bilhões no ano passado, conforme a Federação da Agricultura do Estado de Goiás (Faeg).
Essa conjunção de fatores atraiu empresas como Nestlé, Parmalat, Itambé, Leitbom, Marajoara e Italac. Segundo o Sindicato das Indústrias de Laticínios do Estado de Goiás (Sindileite), existem atualmente 600 laticínios em território goiano. "É uma disputa muito forte", afirma o técnico da Faeg, Edson Novaes.
Na grave crise de preços de 2001, os produtores exigiram providências do governo estadual, que já definiu que as indústrias que não estabelecerem um contrato de compra e venda com o produtor irão perder os benefícios fiscais.
"A classe produtora é unida", reconhece o assessor da diretoria do Sindileite, Alfredo Luís Correa. Ele diz que a indústria goiana está enxugando margens e que cinco indústrias de queijo fecharam no último mês. "Temos o agravante de estar longe do centro consumidor", reclama, acrescentando que 80% da produção goiana é destinada a São Paulo, Rio de Janeiro e Nordeste.
Mas os produtores não estão satisfeitos. "O preço atual é remunerador, mas estamos sentindo a alta de custos", diz o presidente da CentroLeite, Fernando Vilella. É o caso do milho, que, com a queda da safra, subiu 22,8% em julho em relação ao mesmo mês de 2001.

Fonte: Valor On Line (por Raquel Landim), adaptado por Equipe MilkPoint