Foi suspenso de suas funções, ontem (03), o supervisor regional da Agência Goiana de Desenvolvimento Rural e Fundiário (Agenciarural) em Iporá, Joaquim Luiz Guimarães. A medida foi adotada pelo presidente do órgão, Vanderval Lima, ao tomar conhecimento do envolvimento de um laticínio do funcionário em comercialização e transporte irregular de queijos. Para substituir o supervisor, foi designado em caráter interino o veterinário Sálvio Carvalho Barros, que segue hoje para Iporá, acompanhando o diretor de Defesa Agropecuária da Agenciarural, Hélio Lourêdo.
O diretor afirma que, diante da gravidade das denúncias, optou por deslocar-se até o escritório regional do órgão para adotar pessoalmente os primeiros procedimentos para uma completa apuração do caso. O Fisco estadual apreendeu no dia 26 de agosto, em Israelândia, uma carreta graneleira com 14.011 quilos de queijo sem nota fiscal. Do total da carga, 4.012 quilos eram de fabricação do Laticínios Lola, pertencente a Joaquim Luiz Guimarães e seu irmão Antonio José Guimarães, embora formalmente figurem como titulares da empresa as suas respectivas esposas.
Autuação
Em declaração aos funcionários do Fisco, o caminhoneiro José Cândido de Sousa confessou ter adquirido a mercadoria, sem nota fiscal, dos laticínios Lola, JD Ltda., Queijo Leite Indústria de Alimentos Ltda. e São Sebastião Ltda. De acordo com o supervisor do Fisco, Geder Gonçalves de Moura, a nota e a guia de recolhimento foram expedidas em nome do caminhoneiro, mas o imposto e a multa, que somaram R$ 29.445,02, foram pagos por Antônio José Guimarães, co-proprietário do Laticínios Lola. Segundo Moura, como a carga estava sendo transportada em condições inadequadas, sem refrigeração e sem documentação sanitária, comunicou pessoalmente o fato à Agenciarural em Iporá, mas nenhum funcionário do órgão compareceu ao local em que a carga se encontrava retida.
Lourêdo informou que serão instauradas pelo menos três sindicâncias: uma para apurar o envolvimento do funcionário no comércio e transporte irregular de queijo, outra para apurar porque uma equipe de fiscais da agência que saiu de Goiânia, especificamente para interceptar a carga, não encontrou o caminhão e uma terceira para apurar de que forma o veículo conseguiu passar pelas barreiras. Além disso, está pedindo ao Conselho de Medicina Veterinária apuração de eventual conivência dos responsáveis técnicos dos laticínios com as irregularidades denunciadas.
Laticínios também serão multados
A Agenciarural também já expediu autos de infração e multas no valor de R$ 6.278,10 contra os quatro laticínios envolvidos no caso, por transporte inadequado da carga de queijo, falta de documentação sanitária do produto e evasão de barreira (fiscal). "Infelizmente, nem as religiões estão livres dos desvios de comportamento dos seus fiéis, mas vamos apurar tudo com muito critério, para que eventuais deslizes de funcionários não arranhem a boa imagem da Agenciarural junto aos produtores e à opinião pública em geral", disse Lourêdo.
Joaquim Luiz Guimarães eximiu-se ontem de qualquer envolvimento com as irregularidades denunciadas. Apresentando cópias de documentos, ele admite que sua esposa, Irene Fernandes Vasconcelos, é uma das titulares do Laticínios Lola, mas argumenta que ela não teve qualquer responsabilidade no episódio, tendo em vista que desde fevereiro de 1999 passou, por meio de procuração, toda a administração da empresa para o cunhado Antonio José Guimarães. Ele alega também que seu irmão não pagou todo o valor do imposto e da multa, conforme foi divulgado, mas apenas o valor proporcional ao produto que procedia do Laticínios Lola.
Fonte: O Popular/GO (por Edimilson de Souza Lima), adaptado por Equipe MilkPoint
GO: servidor pego com queijo irregular perde suas funções
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