GO: Desmonte do plantel de leite assusta

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Faeg alerta que em dois anos o País pode voltar à condição de grande importador, se não houver providências.

A Federação da Agricultura do Estado de Goiás (Faeg) manifesta preocupação com a intensidade com que os produtores goianos de leite estão se desfazendo dos seus plantéis. "Estamos assustados com as conseqüências que essa situação pode gerar, principalmente entre os pequenos produtores, que em geral têm na atividade a principal fonte de renda para a manutenção de suas famílias", diz o presidente da entidade, Macel Caixeta. Segundo ele, a venda dos plantéis de leite decorre do desestímulo dos produtores frente ao aviltamento dos preços do leite in natura por parte da indústria.

"Em dois anos o País poderá voltar à condição de grande importador de leite, caso não se tomem medidas consistentes para evitar a desagregação do setor produtivo", alerta o presidente da Faeg. Segundo ele, a solução para a crise será uma firme parceria entre os segmentos da cadeia láctea, que assegure uma distribuição mais justa da renda no setor. Nesse sentido, ontem foi realizada mais uma reunião entre produtores e indústrias, que desde o final do ano passado vêm debatendo alternativas para remunerar melhor a produção, sem que os laticínios percam competitividade.

Negociação

"Até agora temos conseguido avanços, mas a indústria precisa ter mais claro a interdependência entre os segmentos da cadeia e estender a mão ao produtor também nos momentos de crise", diz o presidente da Faeg. Segundo ele, o preço médio do litro de leite in natura chegou a R$ 0,24 em dezembro, iniciando em seguida uma lenta recuperação até os atuais R$ 0,27, atribuído em parte ao diálogo estabelecido com a indústria, mas também à redução da oferta no mercado goiano.O presidente da Faeg apela aos produtores de leite para que não se desfaçam dos seus rebanhos nesse momento, pois certamente terão prejuízos significativos.

"A grande oferta de vacas de leite está influindo desastrosamente nos preços e o pior é que muitos desses animais estão sendo comercializados para abate", diz Caixeta.

Endividamento

Outra preocupação levantada pelo presidente da Faeg é que grande parte do rebanho leiteiro é financiado com preço muito diferenciado do gado de abate, o que pode deixar o produtor, principalmente o pequeno, em grande dificuldade para liquidar seus débitos junto às instituições financiadoras.

Caixeta também critica os frigoríficos do Estado, que ao recusarem a oferta de boi cruzado, ou baixarem sua cotação em relação às raças de corte, retiram do pequeno produtor mais uma alternativa de complementação de renda.O presidente da Faeg também protesta contra a intenção manifestada pelo governo federal de importar o equivalente a até 20% do leite a ser demandado no País durante o ano. Segundo ele, falar em importação num momento de crise da pecuária leiteira, como o de agora, só revela o descaso e a falta de uma política para o setor lácteo nacional.

Fonte: O Popular/GO (por Edimilson de Souza Lima), adaptado por Equipe MilkPoint
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