A fábrica da Parmalat em Garanhuns (230 km do Recife) vai concentrar as atividades industriais da empresa no Nordeste. Depois da venda da operação cearense, em agosto de 2002, a multinacional vai transferir as linhas de produção de refrigerados e de leite pasteurizado, instaladas em Natal, para a planta pernambucana. A estratégia comercial conclui o processo de reestruturação da Parmalat, iniciado em 2000, que tenta voltar à rota do lucro depois de quatro anos no vermelho.
A transferência vai começar no início de fevereiro e deve ser concluída até abril, com a descontinuidade da produção em Natal. O gerente executivo de comunicação da Parmalat, Afonso Champi, explicou que Garanhuns foi escolhida para concentrar a produção por conta de sua localização estratégica para abastecer o Nordeste, por estar encravada numa das maiores bacias leiteiras da Região e por garantir maiores condições de competitividade.
Instalada há seis anos em Natal, a linha de iogurtes representava apenas 10% da produção da fábrica de Garanhuns, gerando 90 empregos diretos. A planta fabricava toda a linha de refrigerados, composta por iogurtes batidos, líquidos e com polpas de frutas, além de petit suisse e sobremesas (cremosas, flans e pudins). O mercado de refrigerados movimenta algo em torno de R$ 2 bilhões/ano e o Nordeste representa fatia de 14,6%.
Com a ampliação do mix, a fábrica de Garanhuns deve aumentar em 10% a produção e a captação de leite. Atualmente, a indústria produz cerca de 120 milhões de litros/ano, com matéria-prima captada na bacia leiteira de Pernambuco (70%) e estados vizinhos, num total de 1.300 fornecedores. A unidade de Garanhuns fabricava apenas leite UHT (integral, desnatado e semidesnatado) e pasteurizado.
Bacia leiteira
Apesar das velhas crenças de que a bacia leiteira no Nordeste não deveria prosperar, pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam um crescimento de 40% na produção de leite de Pernambuco, que saltou de 266,1 milhões de litros em 1999 para 360,2 milhões em 2001. A bacia leiteira de Garanhuns, responde por 80% da produção estadual.
No final do ano passado, a Parmalat teve projeto de ampliação da fábrica aprovado pelo Programa de Desenvolvimento de Pernambuco (Prodepe), num investimento de R$ 30,5 milhões a ser aplicado em dois anos. A empresa conseguiu redução de 75% do valor do ICMS a ser recolhido num período de 12 anos.
Segundo Champi, o Nordeste responde por cerca de 11% dos negócios da empresa no Brasil. O market share da Parmalat na Região oscila entre 25% e 28%, acompanhando a participação nacional. O Nordeste também segue o ritmo de crescimento de receita da companhia no Brasil. De janeiro a setembro, o faturamento da Parmalat registrou crescimento de 13,5%. Apesar do avanço da receita, o prejuízo líquido de R$ 174,8 milhões nos nove primeiros meses de 2002, ficou muito acima do prejuízo de R$ 52,7 milhões no mesmo período do ano anterior.
Champi justificou que o resultado é reflexo do processo de reestruturação, que requer uma série de mudanças, além da manutenção dos investimentos. "Em 2001 os aportes chegaram a R$ 100 milhões. Reformulamos produtos lácteos, lançamos novos itens, além de apostar em pesquisa e embalagem", enumerou.
Fonte: Gazeta Mercantil (por Adriana Guarda), adaptado por Equipe MilkPoint
Garanhuns concentra produção da Parmalat no Nordeste
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