A Comissão Preventiva Central do Chile determinou que as empresas Nestlé e Soprole não poderão realizar uma fusão de suas atividades no mercado lácteo chileno, sem antes obter uma autorização do órgão, a qual será fornecida desde que o mesmo avalie que a livre concorrência do mercado não seja afetada pela fusão.
No mês de dezembro foi feita uma denúncia pela Fedeleche (Federação dos Produtores), onde foram apontadas as possíveis conseqüências desta fusão, que poderiam causar grandes problemas ao mercado de lácteos do país, devido ao aumento da posição dominante já ocupada pelas duas empresas.
Com base nesta denúncia e na fiscalização realizada pela Fiscalização Nacional Econômica do Chile, o órgão anti-monopólio pôs fim a possibilidade das empresas implementarem uma aliança estratégica sem consulta prévia. Vale ressaltar que a Nestlé e a Soprole são controladas pelos maiores consórcios lácteos do mundo, a Nestlé suíça e a neozelandesa Fonterra, que recentemente anunciaram uma operação conjunta nas Américas do Norte, Central e do Sul.
A Comissão Preventiva Central comunicou às subsidiárias chilenas que as matrizes das empresas deveriam ser informadas que qualquer passo no sentido de implementação de uma aliança estratégica deverá ser feito apenas após a realização de consulta à comissão, a qual avaliará se isso não exercerá um impacto negativo sobre o mercado de lácteos do país, prejudicando a livre concorrência.
Segundo o advogado que entrou com o processo, Teodoro Ribera, a decisão é um duro golpe para ambas empresas, que tinham nos planos a implementação da fusão no início deste ano. Segundo Ribera, é pouco provável que as empresas consigam implementar a fusão, considerando que já existem diversas denúncias de abuso de poder por parte destas empresas, devido ao porte atual das mesmas.
Importações de lácteos de grandes empresas serão analisadas
A Comissão Resolutiva da Fiscalização Nacional Econômica do Chile determinou que as empresas Loncoleche, Parmalat, Soprole e Nestlé entreguem mensalmente informações detalhadas sobre as importações de lácteos que realizam.
A decisão do órgão ocorreu depois da solicitação de que fossem feitas análises nas diminuições dos preços pagos por três destas empresas. A Direção Nacional Aduaneira também deverá fornecer relatórios de todas as importações de lácteos, tanto em relação às importações aprovadas, como em relação às efetivamente realizadas. O Ministério da Agricultura também fornecerá à comissão informações sobre os preços internacionais de produtos lácteos.
Os produtores de leite já esperavam há tempo este tipo de medida para fiscalizar o mercado, manifestando, através da Fedeleche, a satisfação com a decisão. Segundo os produtores, é importante esclarecer os motivos das reduções unilaterais dos preços pagos aos produtores, por parte das empresas Nestlé, Loncoleche e Parmalat.
Segundo as empresas, as reduções dos preços pagos aos produtores foram motivadas pelo comportamento do mercado internacional. A Fedeleche contesta esta argumentação dizendo que a redução no mercado internacional não tem a mesma magnitude da diminuição ocorrida no preço pago aos produtores, que acumula uma queda de 20% em relação aos preços vigentes em meados de novembro.
Fonte: El Diario Austral de Osorno (por Constanza Vásquez) e Lecherialatina, adaptado por Equipe MilkPoint
Fusão da Nestlé e da Soprole foi interrompida no Chile
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