Fome Zero é testado no Piauí

Publicado por: MilkPoint

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O programa Fome Zero, que será lançado no próximo dia 30, terá um primeiro semestre de testes no Piauí, com a implementação de dois sistemas diferentes, dos quais um será posteriormente adotado pelo governo federal.

Um dos sistemas será baseado na distribuição de dinheiro. O outro na distribuição de cupons. O tema é polêmico dentro do PT e do governo. Há defensores dos dois modelos. Para acomodar as duas correntes, haverá a implementação simultânea e aquele que der certo será adotado. "No Fome Zero, não temos dogmas. Estamos aprendendo com quem já fez trabalho de segurança alimentar", disse ontem (27) o coordenador de mobilização social do Fome Zero e assessor especial da Presidência, Frei Betto, em Porto Alegre, no Fórum Social Mundial.

"A decisão do programa é seguir um pouco características próprias de cada região. Em outras palavras, as duas medidas serão provisoriamente adotadas e conferidas para ver qual apresenta melhor qualidade", disse. Ele não esclareceu se, após a fase experimental, o modelo será unificado em todo o país ou se o dinheiro poderia ser adotado em algumas regiões e os cupons em outras.

"Tentaremos sempre, a partir do governo, dar a orientação para que ele seja um programa, a longo prazo, de inclusão social", disse. Quanto às críticas que o Fome Zero vem sofrendo, Frei Betto declarou: "O programa nem foi lançado, as pessoas nem conhecem seu formato e já o criticam. Acho isso uma precipitação, mas é muito bom o debate e a divulgação".

Fundo mundial contra fome não chegaria a ajudar Brasil

País marcado pela desigualdade e com mais de 50 milhões de pobres, o Brasil poderia ficar de fora de um fundo global contra a fome como o proposto domingo (26) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. Isso porque, apesar dos bolsões de miséria, o Brasil vive uma situação privilegiada em comparação a povos da África, da Ásia e da América Central.

É o que mostra o último ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) das Nações Unidas, no qual o País ocupa a 73.ª posição, estando à frente de outras 100 nações. Divulgado no ano passado, o relatório das Nações Unidas reúne dados de educação, saúde e renda referentes a 2000.

Dos 173 países avaliados, os 36 com os piores resultados formam o grupo de baixo desenvolvimento humano. É o caso de Paquistão, Bangladesh e Nigéria, que têm população acima de 100 milhões de habitantes. O último lugar é de Serra Leoa. O Brasil aparece entre os países de médio IDH. No topo, na primeira posição, está a Noruega, seguida pela Suécia, com os Estados Unidos em sexto lugar.

A classificação das Nações Unidas leva em conta a esperança de vida ao nascer, medida em anos. No Brasil, de acordo com o relatório, a expectativa média era de 67,7 anos. Em outros países pobres, não passa dos 40 anos. É o caso de Serra Leoa, com 38,9 anos, e Moçambique (170.º no ranking do IDH), com 39,3.

Se, em termos de IDH, o Brasil está à frente de outras 100 nações no mundo, a vantagem aumenta se for considerada exclusivamente a renda. No indicador de Produto Interno Bruto per capita, ou seja, a soma das riquezas produzidas no País dividida pelo número de habitantes, o Brasil ocupa o 60.º lugar, 13 posições acima de sua colocação no IDH.

De acordo com estimativa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), 24 milhões de pessoas estão abaixo da linha da indigência, sobrevivendo com menos de US$ 1 por dia, enquanto 56 milhões vivem abaixo da linha da pobreza, com renda média diária abaixo de US$ 2.

Fonte: Folha de S.Paulo (por Léo Gerchmann) e O Estado de São Paulo (por Demétrio Weber), adaptado por Equipe MilkPoint
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