O Banco do Brasil (BB) começou este mês a financiar a Cédula de Produto Rural (CPR) de leite. A expectativa do BB é negociar entre R$ 30 milhões e R$ 40 milhões de contratos até o fim de janeiro. "Estamos em contato com cooperativas e grandes laticínios, mas ainda não há nada assinado", afirma o gerente executivo da diretoria de Agronegócios do BB, José Carlos Vaz. "O objetivo é fazer da CPR um instrumento para formação de preço futuro entre laticínio e produtor".
Por enquanto, os pecuaristas estão procurando conhecer a nova forma de financiamento e os laticínios analisam as condições com cautela. "O novo instrumento é importante, mas os empréstimos pelo custeio pecuário ainda são mais vantajosos para o produtor", analisa o pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/USP), Leandro Ponchio.
A taxa da CPR Física do Leite - que prevê a venda antecipada do produto - é igual a do custeio pecuário (8,75% ao ano), mas a cédula ainda tem pouca liquidez no mercado e é cobrado ainda o custo de operação que pode variar de 0,35% a 0,7%, segundo Ponchio. Como o próprio banco reconhece, a CPR é um instrumento que se aplica melhor para suplementar financiamento de quem já tem o custeio.
A instituição da CPR do leite foi aprovada em outubro último para, segundo o Ministério da Fazenda, ajudar os produtores a "atravessar" a atual crise de preços do setor. Apesar de ainda não ter decolado, analistas e representantes do setor acreditam que pode ser um bom instrumento. "É o financiamento menos burocratizado ao produtor e um bom mecanismo para o mercado financiar a pecuária", diz Alcides Torres, da Scot Consultoria
Para Jacques Gontijo, vice-presidente da maior cooperativa de leite do país, a Itambé, o problema com a CPR do leite está na falta de um indicador confiável de preços futuros. "É diferente de um contrato de soja, quando se pode saber qual o preço daqui a três meses pelas cotações em bolsa", diz. Para o BB, a principal vantagem para os laticínios que adquirem as cédulas é o ganho de capital de giro com a operação.
A contratação do financiamento vai até 30 de abril e o vencimento, até 30 de setembro. No caso de uso da CPR financeira do leite, quando se paga a dívida em dinheiro, não em leite, valem os juros de mercado: cerca de 19%.
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Fonte: Valor Online, adaptado por Equipe MilkPoint
Financiamento do BB para a cadeia do leite
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