ESQUECI MINHA SENHA CONTINUAR COM O FACEBOOK SOU UM NOVO USUÁRIO
Buscar

Fazendas brasileiras se capacitam para produzir leite orgânico

GIRO DE NOTÍCIAS

EM 22/06/2018

8 MIN DE LEITURA

2
4

Propriedades rurais de várias regiões do país estão se estruturando para produzir leite orgânico e algumas procuraram a Embrapa em busca de conhecimento técnico. O curso de Pecuária Leiteira Orgânica, que teve seu primeiro módulo realizado nos dias 15 e 16 de junho em Serra Negra (SP), recebeu produtores e técnicos do Rio de Janeiro, Mato Grosso, São Paulo, Rio Grande do Sul, Alagoas e Ceará. O grupo volta a se encontrar para o segundo módulo nos dias 27 e 28 de julho, na Embrapa Pecuária Sudeste, em São Carlos.


O curso de Pecuária Leiteira Orgânica, que teve seu primeiro módulo realizado nos dias 15 e 16 de junho em Serra Negra (SP), recebeu produtores e técnicos de vários estados

Tecnologias serão detalhadas durante os cinco módulos, que vão até outubro. Mas a intenção é que os inscritos terminem a capacitação sabendo fazer a gestão das tecnologias mais adequadas para cada propriedade a partir de uma visão sistêmica. “Algumas técnicas estão sendo recomendadas a produtores de leite sem necessidade”, disse o chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Pecuária Sudeste e líder do projeto Balde Cheio em Rede, André Novo.

Segundo ele, é difícil analisar números frios da pecuária leiteira. “Um produtor que tirava 200 litros de leite e seis anos depois continua tirando 200 litros é um exemplo de fracasso? Nem sempre. Ele diversificou a propriedade? Produzia em 50 hectares e agora produz em 5 ha? Protegeu áreas de preservação permanente?”, questionou. Ou seja, as condições de produção precisam ser conhecidas. Para isso, a anotação de dados zootécnicos e econômicos é fundamental.

André disse que há três pilares para se mudar uma propriedade que produz leite e que concentram a maioria dos problemas: alimentação (quantidade e qualidade), manejo (sombra, água, ordenha, período seco) e sanidade (verminose, esquema de vacinação). Além dessas dimensões fundamentais, o produtor de leite precisa estar muito atento à administração (controle e planejamento), estrutura do rebanho e melhoramento (reprodução e persistência).

Decisão

Na fazenda que recebeu o grupo, a Nata da Serra, o proprietário Ricardo Schiavinato contou sua história com os orgânicos. Ele aderiu ao modelo de produção por necessidade, e não por ideologia. “Foi meu último suspiro. Se não desse certo, teria que mudar de vida”, afirmou. A propriedade vinha enfrentando dificuldades quando o pai de Ricardo, que é dentista, percebeu que o filho não permitia que a família consumisse a própria produção. “Tem alguma coisa muito errada. Você não come o que produz?”, quis saber.

Ricardo começou a conversão para orgânicos em 1997, com hortaliças. O sucesso com os vegetais foi visível – “produzia com altíssima qualidade e produtividade” – mas a produção de leite permanecia no modelo convencional. No entanto, Ricardo havia percebido que o mercado demandava um leite diferenciado. Foi quando ele procurou a Embrapa em busca de conhecimento técnico. Isso aconteceu em 2007.

Na primeira visita à fazenda Nata da Serra, André Novo ficou impressionado com a qualidade do morango e do tomate que Ricardo produzia. “Mas o leite realmente era ruim”, lembra André. Como o centro de pesquisa de São Carlos não tinha experiência com pecuária leiteira orgânica, eles começaram naquela época a desenvolver uma experiência de aprendizado conjunto. Tecnologias foram testadas na propriedade e agora todo o conhecimento acumulado nesses 11 anos está sendo compartilhado no curso.

Nesse primeiro módulo, foram abordados temas conceituais da pecuária leiteira orgânica. Além de André e Ricardo, também fizeram palestras Carlos Armênio Khatounian, da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), e Sérgio Homma, da Fundação Mokiti Okada. Armênio fez um relato da agricultura desde a pré-história até a atualidade e Homma falou, entre outros assuntos, das diretrizes da natureza para criar e manter a fertilidade do sistema.

Em seguida, o anfitrião levou os convidados para um breve passeio pela propriedade. Todos puderam ver a recuperação de mata ciliar, piquetes com diferentes tipos de forrageiras, diversificação de culturas, animais com qualidade genética, sistema de irrigação, silagem de capim, bebedouros e cochos, entre outras estruturas.

As 40 vagas foram esgotadas e já existe fila de espera para uma próxima capacitação. O curso foi articulado pela Secretaria de Inovação e Negócios, da Embrapa, e está sendo realizado pela Embrapa Pecuária Sudeste e Fazenda Nata da Serra. As empresas Nestlé e Socil, do Grupo Neovia, são patrocinadoras. Esalq, Fundação Mokiti Okada, Gold Seeds Agronegócio e Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento apoiam o evento.

Hobby, convicção, oportunidade: por que produzir orgânicos?

Fabio Menna, da Fazenda Silvestre, em Sapucaí Mirim (MG), começou a plantar frutas vermelhas orgânicas há sete anos e vende sua produção em restaurantes e lojas de orgânicos de São Paulo, que fica a 170 km de sua propriedade. Ele foi um dos participantes do Curso de Pecuária Leiteira Orgânica.


Fabio Menna já produz frutas orgânicas em Minas e agora quer investir na conversão do leite

Engenheiro de áudio e publicitário, Fabio optou por produzir morango, amora, framboesa e mirtilo depois de fazer análise de mercado. A atividade adquiriu escala comercial há cerca de quatro anos. Exigentes em relação à temperatura, essas frutas necessitam de 400 horas e 800 horas de frio por ano. A Fazenda Silvestre fica a 1.500m de altitude e registra boa amplitude térmica.

O interesse pelo leite orgânico é pessoal, praticamente um “hobby” para o publicitário. Ele conta que na época de seu bisavô, aquelas terras produziam leite com a raça Pardo-suíço. Com o tempo, a atividade foi abandonada. Hoje trabalham com gado de corte - Angus e Simental – apenas para engorda “em pequeníssima escala”. “A ideia é retornar para a pecuária de leite agregando o orgânico porque acredito nesse método de produção”, contou Fabio. Ele pretende integrar o leite com as frutas, produzindo iogurtes.

'VEJO ALIMENTO COMO REMÉDIO'

O ator Marcos Palmeira, que também fez parte do curso, produz orgânicos por convicção há 20 anos em uma propriedade de Teresópolis, no Rio de Janeiro. “No começo descobri que eu tirava leite, não produzia leite. Produzir é manter o sistema por um longo prazo e trabalhar melhor com o rebanho”, explicou.

Segundo ele, a fazenda Vale das Palmeiras mudou quando conheceu Ricardo Schiavinato, proprietário da fazenda Nata da Serra, que está sediando alguns módulos do curso. Os dois se encontraram em 2009, em outro curso de agricultura orgânica promovido pela Embrapa. “Na época eu produzia hortaliças e leite, hoje o foco maior é no leite e no Rio de Janeiro”, contou Marcos, que já chegou a vender queijos orgânicos em São Paulo e Minas Gerais.

“É tudo muito sedutor. As pessoas gostam, querem experimentar, você se empolga... Mas decidi concentrar tudo no Rio, onde tenho o laticínio”, afirmou. Quando comprou a fazenda, em 1997, ela já produzia hortaliças. Porém, assim como aconteceu com o dono da Nata da Serra, os antigos proprietários não comiam o que produziam. “Não via problema com o veneno, achava que era só um remedinho. Até que conheci a biodinâmica.”

Há 15 anos Marcos se trata com antroposofia – uma filosofia que explora a natureza do ser humano e do universo e amplia o conhecimento obtido pelo método científico convencional, bem como a sua aplicação em praticamente todas as áreas da vida humana. “Penso o alimento como um remédio. Você quer que a vaca dê mais leite? Você dá boa comida a ela. Quer que o cavalo apresente um bom desempenho em corridas? Melhora a alimentação dele. A gente come para matar a fome”, lamentou.

Marcos chegou ao curso acompanhado do técnico Rosenilton Alves da Silva e da zootecnista Joyce Maria Duarte Gomes, dois alagoanos que estão dando assistência na fazenda. “Estou sempre me capacitando e me reciclando. E trouxe dois parceiros novos desta vez”, disse o ator, que contou ter dificuldade para fechar a agenda, já que está gravando um filme e preparando outro. “É uma luta, mas priorizei o curso.”

Moscas e carrapatos

João Paulo Mattar Basile é administrador, músico e pós-graduado em educação. Ele também participou do curso de 2009, mas teve dificuldades para converter sua produção nos últimos anos porque a propriedade passou por um processo de sucessão. “Estudo os orgânicos há anos e produzo banana, coco, manga e maracujá para consumo próprio. Mas a ideia é fazer comercialmente.”

A produção de leite e queijo está em fase de conversão para orgânico e João Paulo disse que vai iniciar os contatos com uma certificadora. Para o produtor, o maior desafio em sua fazenda, que fica em Araguaiana (MT), perto de Barra do Garças, é eliminar o carrapato, as moscas e ajustar o uso de vermífugos. A ideia é vender os produtos em sua região, “no máximo em Cuiabá”.

Nestlé

Paulo Diehl, que trabalha na Unidade da Nestlé em Araraquara há 10 anos, também se capacitou no curso. Ele conta que a empresa tem interesse em agregar conhecimento sobre a pecuária leiteira orgânica, já que está acompanhando o processo de conversão de um grupo de 35 produtores da região de São Carlos.

O cluster de leite orgânico estimulado pela Nestlé pretende estabelecer um ciclo sustentável. Os produtores envolvidos deverão, com o tempo, fornecer insumos para novos interessados na conversão. Atualmente a empresa fornece milho e farelo de soja não transgênico para esse grupo de 35 pessoas. “Não temos como fornecer mais”, afirmou.

Para fomentar a produção orgânica de leite, além de patrocinar o curso para facilitar o acesso às tecnologias, a Nestlé está captando leite desse grupo e pagando pelo valor do leite certificado. Paulo explicou que a empresa não abre mão de seguir a legislação vigente, como a 10.831, de dezembro de 2003, que dispõe sobre a agricultura orgânica, além de instruções normativas como a IN62, IN46, IN19 e IN18, que regulam a produção no campo e o processamento industrial.

Embora venha comprando o leite em processo de conversão para orgânico, a Nestlé ainda o comercializa como convencional – na forma do leite UHT Ninho, de caixinha. Paulo prevê que em fevereiro de 2019 a empresa terá volume de leite convertido suficiente para o processamento de um produto orgânico, mas disse que ainda não foi definido qual será.

As informações são da Embrapa Pecuária Sudeste. 

 

2

DEIXE SUA OPINIÃO SOBRE ESSE ARTIGO! SEGUIR COMENTÁRIOS

5000 caracteres restantes
ANEXAR IMAGEM
ANEXAR IMAGEM

Selecione a imagem

INSERIR VÍDEO
INSERIR VÍDEO

Copie o endereço (URL) do vídeo, direto da barra de endereços de seu navegador, e cole-a abaixo:

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração. Obrigado.

SEU COMENTÁRIO FOI ENVIADO COM SUCESSO!

Você pode fazer mais comentários se desejar. Eles serão publicados após a analise da nossa equipe.

MARCELO RIBEIRO RODRIGUES

TEÓFILO OTONI - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 13/08/2018

Gostaria de ver o artigo do Dr Marco Aurelio em 12/06/2016 sobre capins em áreas encharcadas
OSWALDO ACCORSI MIRANDA

TEÓFILO OTONI - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 25/06/2018

Sou Médico Veterinário na região do Vale do Mucuri - MG e estou vendo com muito bons olhos os tratamentos do gado de leite com a Homeopatia Veterinária, com resultados extremamente satisfatórios. Na reportagem, acima, não se toca neste assunto. Oswaldo Luis Miranda (CRMV-MG 1858)
MilkPoint AgriPoint