Fazenda no Estado do Rio terá rebanho de 400 bovinos para estudo genético

Publicado por: MilkPoint

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O Campo Experimental de Santa Mônica, localizado em Valença/RJ, terá um dos maiores rebanhos de bovinos do País destinado ao estudo genético. A Embrapa Gado de Leite vem produzindo uma população de 400 animais F2 (segunda geração resultante do cruzamento de bovinos das raças holandesas e Gir). Os animais fazem parte de um projeto pioneiro no País: identificar, no genoma dos bovinos, genes associados às características de interesse econômico para a pecuária.

Quase metade do rebanho já está formado. "O genótipo destes animais está sendo estudado por meio de marcadores genéticos" explica o chefe-adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Gado de Leite, Mário Luiz Martinez. "Queremos definir, a médio prazo, quais são os genes responsáveis por características que possam implicar no aumento da produtividade e da qualidade do leite e da carne ", diz Martinez.

O material genético coletado no Campo Experimental é enviado ao Laboratório de Genética Molecular da Embrapa, em Juiz de Fora/MG. Inaugurado recentemente, o Laboratório custou 334 mil dólares. Para dar suporte ao trabalho, a Embrapa coordena a Rede Nacional de Genoma Bovino. O objetivo é centralizar os esforços de diversas instituições que realizam pesquisas genéticas no País.

Reduzindo os prejuízos - O Brasil gasta todo ano cerca de R$1 bilhão de reais com produtos químicos para combater os parasitas que atacam o gado. Além disto, a pecuária nacional deixa de produzir 26 milhões de toneladas de carne e quatro bilhões de litros de leite por ano em decorrência de infestações provocadas por endo e ectoparasitas. O projeto desenvolvido pela Embrapa é inédito no mundo. Em sete anos, já foram investidos cerca de R$1,5 milhões no trabalho. Uma quantia pequena se comparada aos benefícios que pode trazer para a pecuária nacional.

Rebanho mais produtivo

O projeto da Embrapa busca ampliar a eficiência do processo de seleção dos animais por meio dos estudos genéticos. No futuro, será possível identificar, ao nascer, se um bovino tem grande aptidão para produzir leite ou carne e se é resistente a uma série de doenças. Desta forma, o produtor só terá no rebanho os melhores animais. Veja a seguir quais as características estão sendo estudadas:

- Resistência à mastite (doença que afeta o úbere da vaca e interfere na qualidade do leite).

- Resistência ao calor (bovinos das raças européias são mais susceptíveis ao estresse térmico, o que compromete a produção).

- Resistência a endo e ectoparasitos (os gastos com carrapaticidas na pecuária brasileira estão em torno de R$ 1 bilhão por ano).

- Aptidão para a produção de leite (mesmo com capacidade para ser auto-suficiente, o Brasil ainda importa leite).

- Aptidão para produção de carne de qualidade (o País vem se firmando como um dos maiores exportadores do produto no mundo).

Fonte: Rubens Neiva, Jornalista - Embrapa Gado de Leite
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