O desempenho do primeiro trimestre reflete um cenário de menor dinamismo nos principais produtos exportados, após um fim de 2025 marcado pela queda nos preços internacionais. Esse movimento, porém, começou a se reverter no início deste ano, o que deve se traduzir, gradualmente, em uma recuperação dos valores médios de exportação.
Entre os produtos, as quedas foram praticamente generalizadas. O leite em pó desnatado registrou a maior retração, com recuo de 30% (US$ 9 milhões). Os queijos caíram 8% (US$ 22 milhões) e o leite em pó integral teve redução de 5% em valor (US$ 140 milhões). A exceção ficou por conta da manteiga, que avançou 15%, embora ainda represente uma fatia menor do total exportado, com US$ 19 milhões.
Em volume, o comportamento foi semelhante. O leite em pó desnatado caiu 31% (2.994 toneladas) e os queijos recuaram 10% (4.527 toneladas). Já o leite em pó integral apresentou leve alta de 3% (38.606 toneladas), enquanto a manteiga cresceu 25% (3.312 toneladas).
No acumulado do ano, os preços mostraram comportamento misto. Houve leve alta no leite em pó desnatado (+1%) e nos queijos (+2%), enquanto a manteiga (-9%) e o leite em pó integral (-7%) ainda operam abaixo dos níveis do ano passado.
Por outro lado, na comparação mais recente, o leite em pó integral já mostra sinais claros de reação, com alta de 18% frente a dezembro, alcançando US$ 3.560 por tonelada — um indicativo de mudança na tendência dos preços internacionais.
No recorte por mercados, a Argélia segue como principal destino dos lácteos uruguaios, respondendo por 35% das exportações nos últimos 12 meses. O Brasil aparece na sequência, com 27%, seguido por Mauritânia e Arábia Saudita, ambos com 3%. Por produto, o Brasil mantém papel estratégico nas compras de queijos (28%) e leite em pó desnatado (82%), enquanto a Argélia lidera com folga as aquisições de leite em pó integral, com 49%.
As projeções da Uruguay XXI indicam que as exportações de lácteos do país podem alcançar US$ 956 milhões em 2026, um avanço de 3% em relação ao ano anterior. Esse crescimento, no entanto, deve ser sustentado principalmente pelo aumento dos volumes, e não por preços mais elevados.
A produção já dá sinais de forte dinamismo no início do ano, com níveis historicamente altos de remessa e crescimento próximo de 7% nos dois primeiros meses. Ainda assim, esse maior volume entra em um mercado internacional que segue fragilizado, onde a recuperação de preços ainda é gradual e demora a se refletir plenamente nos valores de exportação.
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As informações são do Tardáguila Agromercados, traduzidas e adaptadas pela Equipe MilkPoint.