O presidente da unidade italiana da empresa de auditoria Grant Thornton demitiu-se e o seu sócio foi suspenso, por tempo indeterminado, depois de terem sido detidos na quarta-feira (31) na seqüência do escândalo financeiro Parmalat. A Grant Thornton International anunciou que aceitou a demissão de Lorenzo Penca do cargo de presidente e que o seu sócio foi suspenso por tempo indeterminado.
Lorenzo Penca e Maurizio Bianchi, segundo informações da Agência Lusa, foram detidos juntamente com outros cinco responsáveis e advogados da Parmalat por suspeita de terem ajudado na falência fraudulenta da empresa. A Grant Thornton fez a auditoria da Parmalat entre 1990 e 1999.
Um dos juízes responsáveis pelo caso acusou Penca e Bianchi de falsificarem balanços da Parmalat e de sugerirem "as operações fictícias necessárias para obter a falência fraudulenta do grupo".
A falência do grupo Parmalat foi oficialmente declarada a 27 de dezembro porque teve um "buraco" de pelo menos € 7,5 bilhões nas contas de 2002. Calisto Tanzi, fundador da empresa, foi detido em Milão sob suspeita de ter desviado centenas de milhões de euros.
O ex-diretor financeiro Fausto Tonna, e emitiu ordem de busca e captura contra o diretor da filial do grupo na Venezuela, Giovanni Bonici - que estava em Caracas, mas regressará em breve à Itália, segundo informou seu advogado.
Da Parmalat, foram detidos o diretor Luciano Del Soldato, o advogado Gianpaolo Zini e os funcionários Gianfranco Bocchi e Claudio Pessina.
O juiz Pietro Rogato também emitiu uma nova ordem de prisão contra o ex-presidente e fundador da Parmalat, Calisto Tanzi, que está detido desde sábado (27) em Milão. O pedido de prisão domiciliar foi negado pela Justiça, sob a alegação de que ele representa "um perigo para a sociedade".
Tanzi admitiu que desviou € 550 milhões e que tinha conhecimento de um rombo de € 8 bilhões nas contas da Parmalat, e responsabilizou as perdas em operações na América Latina pelo desastre financeiro. "O problema pode ser explicado assim: finanças ruins, bons produtos", afirmou Fabio Belloni, advogado de Tanzi.
Segundo ele, o fundador da Parmalat não usou nem um centavo do dinheiro desviado para benefício pessoal, e está convencido de que a companhia pode ser salva.
À frente da Parmalat desde o início do escândalo financeiro, Enrico Bondi, especialista em resgatar empresas à beira da quebra, deve iniciar conversações com os bancos e pedir empréstimos para manter a companhia em funcionamento, disse uma fonte relacionada com a empresa.
Fonte: O Estado de S. Paulo, adaptado por Equipe MilkPoint
Executivos de auditora e diretores da Parmalat foram detidos
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