Os produtores de leite do Chile ficaram insatisfeitos com a proposta feita pelos Estados Unidos no setor de lácteos, durante as negociações que estão sendo feitas pelos dois países para que sejam incluídas no Tratado de Livre Comércio (TLC). Até o momento, a proposta do país norte-americano se restringe apenas a cotas sem tarifas para alguns produtos e em volumes definidos.
Para o presidente da Federação Nacional de Produtores de Leite (Fedeleche) do Chile, Jorge Alamos Rodríguez, a proposta é absolutamente insuficiente e inaceitável. "Esta proposta dos EUA parece mais uma forma encoberta de proteção a seu setor de lácteos, já que, apesar de mostrar uma vontade aparente de abrir seu mercado a nossas exportações, os volumes considerados são extremamente pequenos".
O presidente da Associação de Produtores de Leite de Osorno (Aproleche), Javier Pardo, disse que os produtores chilenos insistem na proposta de tarifa zero para todos os produtos lácteos "porque já estamos abertos; não necessitamos de cotas, mas sim, de uma abertura agrícola".
Alamos disse que a equipe negociadora do Chile solicitou o abatimento total e imediato de tarifas em todos os produtos lácteos. Em caso de existir restrições comerciais por parte dos EUA, os produtores chilenos pediram a obtenção de cotas de 7 mil toneladas de leite condensado, 5 mil toneladas de manteiga e 15 mil toneladas de queijos.
"Receber em troca uma oferta que considera apenas mil litros de leite fluido e 230 toneladas de leite condensado, entre outras coisas, parece-me pouco sério por parte dos nossos futuros sócios".
Atualidade
A crítica do dirigente da Fedeleche se fundamenta no fato de que somente no que se refere ao leite condensado, com as barreiras protecionistas atualmente em vigência, o Chile exportou entre janeiro e setembro deste ano mais de 700 toneladas aos EUA, o que é o triplo do volume da cota oferecida pelo país norte-americano.
Alamos disse que a Fedeleche já expressou à equipe negociadora chilena seu rechaço a esta proposta dos EUA, uma vez que aceitar uma oferta com estas características implicaria em frustrar o esforço exportador que o próprio governo do Chile vem empregando para o setor leiteiro nacional.
"Objetivamente, o mercado dos EUA representa uma oportunidade para nosso setor apenas se o resultado da negociação se aproximar da nossa proposta, já que, do contrário, somente estaríamos falando de um simples tratado que não corresponde à classificação de livre comércio".
Atualmente, o Chile tem tarifas que alcançam 1% com os países que integram o Mercado Comum do Sul (Mercosul) e de 6% com o restante do mundo. "A única coisa que pedimos é reciprocidade dos EUA, ou seja, que eles nos dêem o que nós estamos dando a eles. O problema é que nós estamos enfrentando uma das economias mais protegidas do mundo".
Fonte: El Austral de Osorno (por Ricardo Alt), adaptado por Equipe MilkPoint
EUA propõem escassa liberação comercial ao Chile no setor de lácteos
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