Os grandes produtores rurais dos Estados Unidos não estão conseguindo convencer o Congresso e o governo americano a concordarem com uma lei agrícola que, se aprovada, promoverá a maior oferta de subsídios da história do país e reduzirá ainda mais a competitividade de países, como o Brasil.
O projeto de lei, que já foi aprovado pela Comissão de Agricultura e na próxima semana será votado pela Câmara dos Deputados, prevê a liberação de US$ 171 bilhões nos próximos dez anos para o setor. Somando-se os efeitos de outras duas leis já aprovadas, a agricultura americana poderá receber anualmente cerca de US$ 30 bilhões, entre 2002 e 2011.
Os EUA já vinham apresentando crescimento nos subsídios agrícolas nos últimos anos, sendo que em 2000, estes atingiram seu recorde - US$ 32,3 bilhões. O projeto da nova lei agrícola procura beneficiar principalmente os grandes produtores de grãos e algodão. Respondendo por menos de 25% dos dois milhões de agricultores americanos, os grandes recebem 84% das verbas federais destinadas à agricultura.
Na quarta-feira, durante depoimento à Comissão de Agricultura, a secretária de Agricultura, Anne Veneman, disse que o governo já não sabe se haverá recursos para bancar os US$ 171 bilhões previstos no projeto da nova lei, devido aos ataques terroristas sofridos no dia 11, que fizeram com que as prioridades orçamentárias do governo tomassem outros rumos. Na semana passada, Veneman já havia exposto, num documento de 120 páginas, as restrições do governo aos atuais programas de subsídios.
Outro fato que está dificultando a execução deste projeto de lei é que ele contava com US$ 74 bilhões dos superávits fiscais que o governo vinha acumulando nos últimos anos. Porém, na administração Bush, os superávits deixaram de ser uma prioridade e, agora, com a perspectiva de guerra, devem ser abandonados de vez.
Na tentativa de comover os deputados a votarem a favor do projeto, os lobbistas do setor agrícola norte-americano argumentaram que seriam necessários pelo menos US$ 20 bilhões por ano para subsidiar a produção de grãos e algodão como parte do esforço da guerra que vem por aí.
Porém, Richar Lugar, senador republicano, disse que os lobbistas terão que enfrentar esta batalha no Senado, onde o projeto deverá ser apreciado durante o outono americano. "Estou cansado de todos dizendo que o Exército marchará sobre seus estômagos para dar a entender que precisamos de uma lei agrícola para alimentar nossas tropas. Estamos cheios de alimentos saindo pelos ouvidos."
Fonte:Valor Online (por Cristiano Romero), adaptado por Equipe MilkPoint
EUA: produtores agrícolas deverão ter menos subsídios
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