Os Estados Unidos ofereceram ontem (11) eliminar tarifas de 65% das exportações de produtos industriais da América Latina e de 56% dos produtos agrícolas no dia em que entrar em vigor o acordo de criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), o que deve acontecer, na melhor das hipóteses, no início de 2006.
A oferta americana não inclui, no entanto, as questões sistêmicas, como subsídio à produção e às exportações agrícolas, que distorcem o mercado. Estas ficarão para as negociações da Rodada Doha, na Organização Mundial de Comércio, confirmou o representante Comercial americano, Robert Zoellick.
Além de bens agrícolas e industriais, a oferta americana cobre também serviços, investimentos e compras governamentais. Zoellick classificou a oferta americana de "audaciosa". É improvável, no entanto, que o adjetivo receba a mesma interpretação em Brasília.
Nos produtos em que o Brasil e os países do Mercosul são mais competitivos, como os agrícolas, a redução ou eliminação das barreiras às importações que os EUA se dispõem a fazer é mais lenta. Zoellick identificou "açúcar, cítricos e produtos mais sensíveis" entre os que terão acesso mais lento. "Mas a chave é que todos os produtos estão sobre a mesa para serem negociados", afirmou.
Da mesma forma, a liberalização do mercado de bens industriais oferecida ao Mercosul também é mais lenta, em comparação com o Caribe, a América Central e os países andinos, que têm um mesmo nível de desenvolvimento. A oferta de Washington não faz referência às leis de defesa comercial, sobretudo o uso do antidumping, que têm sido o principal instrumento do protecionismo do setor. É outro tema que Washington só se dispõe a tratar, se tanto, na OMC.
Zoellick disse que o objetivo central dos EUA na Alca é abrir mercados nas áreas de produtos, serviços, investimentos e compras americanas na região. "Os EUA já são um mercado muito aberto e a Alca beneficiará agricultores, trabalhadores e consumidores americanos, reduzindo as altas tarifas e barreiras comerciais no resto do hemisfério, promovendo, ao mesmo tempo, o crescimento econômico regional e a integração".
Ele deixou claro também que o governo americano busca reciprocidade de tratamento não apenas no acesso de seus bens industriais e agrícolas, mas também nas áreas de serviços, investimentos e compras governamentais, nos quais os EUA são líderes e só têm a ganhar.
Fonte: O Estado de São Paulo (por Paulo Sotero), adaptado por Equipe MilkPoint
EUA ignoram subsídios na proposta para a Alca
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