A guerra comercial do presidente Donald Trump com a China se intensificou na semana passada, com tanto Trump quanto o presidente chinês Xi Jinping se recusando a ceder.
Trump e Xi pareciam dispostos a subir juntos a “escada tarifária”, sem um teto à vista, mas então Xi anunciou na sexta-feira, após aumentar novamente as tarifas, que elas estavam tão altas quanto poderiam chegar. Ele deixou claro, no entanto, que não estava recuando e que as tarifas já estavam altas o suficiente para tornar os produtos dos EUA inviáveis no mercado chinês.
Importadores chineses da maioria dos produtos norte-americanos terão que pagar uma tarifa de 125%, enquanto importadores norte-americanos da maioria dos produtos chineses enfrentarão tarifas de 145%.
A escalada da guerra comercial basicamente deixará a indústria de laticínios dos EUA fora do mercado chinês por enquanto, justamente no momento em que a demanda por laticínios deve crescer e a produção de leite continua a cair, afirmou Betty Berning, analista do Daily Dairy Report. A China é o terceiro maior mercado de lácteos dos EUA em valor, representando 7% das exportações totais no ano passado.
Em fevereiro, a produção de leite na China caiu pelo sétimo mês consecutivo. Dados da CN Agri mostraram que a coleta de leite foi de 2,77 milhões de toneladas tanto em janeiro quanto em fevereiro, com uma queda de 9,2% no acumulado do ano em comparação com janeiro e fevereiro de 2024. Apesar da queda na produção, os preços do leite também caíram, com redução de 15% em fevereiro em relação ao mesmo mês de 2024, segundo a RaboResearch. Já a produção de leite em pó desnatado despencou mais de 30% em janeiro e fevereiro comparado aos mesmos meses de 2024.
“Em 2018, a China anunciou um plano de modernização para aumentar a produção de leite em todo o país e reduzir sua dependência das importações de laticínios”, observou Berning. “De 2018 a 2023, os volumes cresceram rapidamente, com aumento de 27%, ou 11,2 milhões de toneladas, e, por todos os relatos, o esforço foi um sucesso. No entanto, o país também buscou aumentar o consumo de laticínios, mas essa iniciativa teve menos êxito.”
Segundo o CLAL, da Itália, o consumo per capita de leite na China em 2023 foi de apenas 11,6 kg. “Isso é lamentavelmente inferior ao consumo per capita no resto do mundo”, disse Berning. “O crescimento do consumo de laticínios na China não acompanhou o aumento da produção de leite. Mas, em meados de 2024, um excedente de leite derrubou os preços, e a indústria começou a abater vacas, ampliando o desequilíbrio entre consumo e produção.”
O crescimento do consumo na China tem sido lento por várias razões. Em primeiro lugar, segundo Berning, muitos chineses são intolerantes à lactose, o que explica por que o leite historicamente não faz parte da dieta tradicional do país e por que sua adoção tem sido lenta. Em segundo lugar, a demanda por fórmula infantil caiu devido à queda nas taxas de natalidade, e o custo do varejo dos laticínios também pesa em uma economia chinesa volátil.
“É provável que a produção de leite na China continue baixa, pelo menos por enquanto. Se o consumo de laticínios decolar como Pequim espera, mais importações serão necessárias até que a oferta doméstica consiga atender à demanda. No entanto, devido às tensões crescentes entre Estados Unidos e China, esses produtos provavelmente virão de países com os quais a China tem acordos de livre comércio — e não dos EUA”, ela concluiu.
As informações são do Dairy Herd Management.