EUA: cenário atual do setor lácteo

A crise financeira que afetou severamente o país não deixou que o setor lácteo ficasse imune. Aliada à crise, a situação pouco favorável do mercado internacional de lácteos fez com que os EUA revisassem algumas projeções de preços e produção para este ano, assim como para 2010.

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A crise financeira que afetou severamente o país não deixou que o setor lácteo ficasse imune. Aliada à crise, a situação pouco favorável do mercado internacional de lácteos fez com que os EUA revisassem algumas projeções de preços e produção para este ano, assim como para 2010.

Produção

Na última semana, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, sigla em inglês) revisou novamente para baixo a produção leiteira dos EUA em 2009. O volume previsto para a produção de 2009 - 85,05 bilhões de quilos - é 1,31% inferior em relação à produção de 2008 (86,18 bilhões de quilos). Para 2010, o USDA prevê a produção de 84,55 bilhões de quilos.

A justificativa para essa nova revisão de baixa, segundo o USDA, são os altos custos de produção (alimentação animal) que, aliados ao menor preço recebido pelo leite, desmotivou os produtores a investirem na atividade. Também é esperada uma redução no número de vacas em produção.

Gráfico 1. Histórico de produção de leite nos EUA.

Figura 1
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No mês de maio, a produção de leite nos EUA foi de 7,6 bilhões de quilos, de acordo com os dados divulgados nesta quinta-feira (18) pelo USDA. Esse volume é 3,75% superior em relação ao mês de abril, e 0,1% acima da produção do mesmo período de 2008.

Preços ao produtor

Em queda desde junho de 2008, e mais acentuadamente a partir de outubro, os preços ao produtor chegaram a um piso no mês de fevereiro/09, iniciando em março um movimento de leve recuperação. Numa comparação dos valores do mês de abril (pois ainda não temos disponíveis os valores de maio e junho), o preço pago ao produtor no Brasil, em dólar (US$ 0,2631) ficou bem próximo ao do praticado nos Estados Unidos (US$ 0,2684).

A alta no valor médio recebido pelos produtores norte-americanos no mês de abril, em relação a março, foi de 3%.

Gráfico 2. Histórico de preços ao produtor em diferentes países.

Figura 2
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Leite Classe III - fabricação de queijos

Ainda no relatório sobre Estimativas de Oferta e Demanda Agrícolas Mundiais (World Agricultural Supply and Demand Estimates - WASDE), foi previsto um aumento da maioria dos preços dos produtos lácteos em 2009 devido à menor oferta, mas os preços dos queijos deverão cair. A previsão do preço do leite Classe III (utilizado para produção de queijos) para 2009 permaneceu sem mudanças, em US$ 0,2336-US$ 0,2425 por quilo, mas aumentou para 2010, ficando em US$ 0,3152- US$ 0,3373 por quilo. A média de 2008 foi de US$ 0,3844 por quilo.

Gráfico 3. Histórico de preços do leite Classe III.

Figura 3
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Mercado Futuro - Leite Classe III

Os preços futuros do leite Classe III têm mostrado certa instabilidade nos últimos dias. Nesta semana, os preços dos contratos futuros para o período de julho-dezembro/09 tiveram quedas de 8 a 13 centavos, ficando o preço médio dos contratos negociados para esse período, em US$ 12,14 por 100 libras (US$ 0,2751/Kg de leite). A melhor média de preços para os contratos deste período ocorreram no dia 27 de março, quando foram negociados a US$ 16,00 por 100 libras (US$ 0,3527/Kg). Os contratos para o segundo semestre do ano declinaram em 17 das 22 últimas sessões realizadas (CME Group).

Em 30 dias, o valor dos contratos para Agosto/09 teve variação negativa de 18,8% - em 18 de maio, os contratos para agosto/09 foram cotados a US$ 13,13 por 100 libras (US$ 0,2895/kg); em 17 de junho, foram contados a US$ 10,66 por 100 libras (US$ 0,2350/kg). Para o final do segundo semestre, os valores dos contratos alcançaram na sessão de 17/06 valores de US$ 13,90 por 100 libras (US$ 0,3064/kg de leite) para dezembro.

Gráfico 4. Evolução dos preços futuros do leite Classe III nos EUA, em dólares por quilo.

Figura 4
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Estoques

Há quase um mês, em 22 de maio, os EUA reabriram o Programa de Incentivo às Exportações de Lácteos (DEIP, sigla em inglês) para o ano que se encerra em 30 de junho. O DEIP é um programa de subsídios às exportações de lácteos.

O primeiro anúncio de subsídios pelo DEIP, para o leite em pó desnatado, foi de US$ 115/tonelada para o embarque para a Ásia/ex-União Soviética, valor considerado "modesto" quando comparado com o subsídio de US$ 340/t da União Europeia para o mesmo produto, sendo os preços no mercado interno da UE significativamente superiores aos preços dos EUA, considerando o câmbio atual. Para a manteiga, os EUA determinaram subsídio de US$ 450/t, comparado com um subsídio de mais de US$ 990/t na UE. No entanto, é esperado que haverá uma outra rodada do programa DEIP quando o atual expirar - no final de junho. Atualmente, o USDA prevê uma queda de 30% nas exportações dos EUA para 2009, quando comparadas com os níveis recordes de 2008, mas com uma recuperação de 15% em 2010.

Equipe MilkPoint, com informações do USDA, LTO Nederland, CME Group e Dairy Industry Newsletter.
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Roberto Jank Jr.
ROBERTO JANK JR.

DESCALVADO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 19/06/2009

As noticias são favoráveis ao Brasil. Tanto a queda na produção de 1 bilhão de litros em 2009 quanto a profunda queda de 19% na expectativa do preço futuro entre março e junho, nos ajudam.

Os EUA são competitivos, mais ainda com DEIP na exportação. Os 1,3% de queda na produção corresponderia a um ajuste compensatório de 7% na produção da Nova Zelandia por exemplo; ou seja, é muito leite mesmo para os principais países atuantes no comercio internacional, que eventualmente poderiam repor esse volume.

A queda de preços combinada com expectativa de queda de produção reduzem a competitividade e poder de fogo dos americanos. Melhor para nós que vamos conviver com um cenário menos favorável no segundo semestre de 2009, quando espero que os efeitos deste desestímulo internacional já tenha causado algum efeito positivo nos preços leite em pó.

<b>Resposta MilkPoint:</b>

Roberto,

É verdade, mas há uma outra coisa. Os Estados Unidos exportaram 11% da produção em 2008 e nesse ano exportarão no máximo 7%, com DEIP e tudo. Assim, o ajuste da produção ainda não é suficiente para compensar esses 4% de diferença. Os estoques continuam aumentando. Vamos ver.

Abraço,

Marcelo
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