Para celebrar essa trajetória, conversamos com a Carla Bittar, professora da ESALQ/USP e colunista do portal desde 2005. Especialista em metabolismo e nutrição de bezerros leiteiros, ela reflete sobre como a visão do produtor mudou radicalmente nesse período, deixando de enxergar a bezerra como um custo para entendê-la como o investimento mais valioso da fazenda.
A trajetória de Carla no portal começou em um momento em que a criação de bezerras ainda carecia de maior atenção técnica no dia a dia das propriedades. Segundo a colunista, o MilkPoint cumpriu o papel vital de ser o "principal canal de extensão do setor”, permitindo que as dúvidas colhidas diretamente no campo se transformassem em conhecimento estruturado.
Para ela, o grande diferencial que manteve a relevância do portal por 26 anos é o rigor com a informação. "O que eu acho mais interessante é que, de maneira geral, os consultores escrevem textos baseados na literatura científica. Não são textos de opinião, são textos baseados em experimentos conduzidos em universidades com algum rigor científico", destaca Carla, reforçando que essa credibilidade é o que sustenta a confiança do produtor.
Uma das evoluções mais marcantes nesses 26 anos foi a mudança de mentalidade em relação às categorias jovens. Carla recorda que, no passado, a bezerra era frequentemente vista como uma "torneira aberta" ou um animal que apenas gerava despesas sem retorno imediato. No entanto, o esforço conjunto de pesquisadores, consultores e a disseminação de dados pelo portal ajudaram a promover uma virada de chave, mostrando que o manejo adequado no início da vida é o que determina o potencial de produção futuro da vaca adulta. "Nós conseguimos, juntos, mudar um pouco essa mentalidade do produtor e fizemos com que eles entendessem que investir nessa categoria é extremamente importante para melhorar a eficiência do rebanho como um todo", afirma a especialista.
Apesar dos avanços tecnológicos, alguns temas permanecem como pilares fundamentais e geram discussões constantes, como é o caso da colostragem. Carla Bittar observa que, embora os protocolos sejam bem estabelecidos, o engajamento continua alto porque as recomendações evoluem. Entre 2020 e 2021, por exemplo, novas diretrizes foram adotadas em prol de práticas que trazem benefícios imediatos à imunidade dos animais. Além disso, as discussões sobre o balanço entre dieta líquida e sólida e o desenvolvimento do rúmen continuam no topo das prioridades, sempre com o objetivo de garantir um desaleitamento eficiente e sem perdas nas taxas de crescimento.
Olhando para o futuro, Carla acredita que a receita do sucesso do MilkPoint para os próximos anos reside na manutenção dessa curadoria técnica em meio ao oceano de informações superficiais das redes sociais. Ela alerta que, embora existam muitos conteúdos de rápido engajamento em plataformas como o Instagram, muitos carecem de comprovação, o que pode ser problemático para a saúde financeira e produtiva das fazendas.
"É preciso manter esse foco naquilo que é aplicado e trazer informação com embasamento científico. Isso é de extrema importância para termos sucesso dentro das propriedades", conclui a colunista, celebrando o papel do portal em "mudar a cara do produtor de leite do Brasil".
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