Se entre os bovinos de corte, os rústicos farão a diferença nos negócios, no gado leiteiro os animais de argola continuarão reinando absolutos na Expointer, no Rio Grande do Sul. As duas principais raças de leite, holandês e jersey, não levarão para o parque Assis Brasil exemplares criados a campo. Isso porque esta nunca foi considerada a melhor época para venda de matrizes leiteiras, o período da chamada formação de cotas ocorre de abril a maio. E, neste ano, com a garantia de algumas empresas de lácteos de não aplicação de extracota, investir na venda de exemplares rústicos leiteiros não seria o melhor negócio.
Em compensação, os animais de elite devem garantir um show em Esteio. "A seleção nas cabanhas foi rigorosa", diz o presidente da Associação de Criadores de Jersey, Carlos Alberto Petiz.
Para impulsionar os negócios, as associações apostam em diversas estratégias de marketing. Vale tudo para garantir uma boa comercialização na festa da pecuária e reverter o desempenho fraco na Expoleite, em maio, quando a comercialização, prejudicada pela crise do preço do leite, rendeu apenas R$ 213 mil.
Na raça holandesa, a partir de amanhã, um time preparado para intermediar o contato entre vendedores e compradores vai percorrer diariamente o pavilhão de gado de leite. Os apoiadores de venda, como são chamados, estarão encarregados de aproximar os interessados em adquirir animais dos criadores dispostos a vender.
Outra inovação na área comercial, segundo o presidente da Associação de Criadores de Gado Holandês do Estado (Gadolando), José Ernesto Ferreira, será o Feirão de Novilhas no dia 29 de agosto. As fêmeas serão expostas na pista de julgamento do gado leiteiro, para venda direta. A data não foi escolhida em vão. Nesse dia, as excursões de pequenos produtores, organizadas por sindicatos de trabalhadores rurais e cooperativas, terão acesso gratuito ao parque.
O tradicional remate Holandês Classic, no dia 30, será na pista dentro do pavilhão do gado leiteiro. A expectativa de Ferreira é que a comercialização supere R$ 400 mil. Neste ano, a Gadolando recebeu inscrição de 228 exemplares, um crescimento de 8% em relação aos 211 animais cadastrados na feira passada.
Outra novidade será a premiação em dinheiro para o proprietário da campeã no concurso leiteiro. O valor não foi definido, mas a esperança é que essa estratégia estimule a participação dos produtores no concurso mais tradicional da raça.
Entre os criadores de jersey, a perspectiva também é otimista para as vendas, especialmente em razão do aumento do limite de crédito do Banrisul para aquisição de animais, de R$ 10 mil para R$ 20 mil. "A Expointer sempre foi o palco do gado de elite, da genética superior", lembra Petiz, observando que os produtores de gado leiteiro preferem levar os rústicos à Expoleite.
O dirigente acredita que a qualidade dos exemplares será recompensada em Esteio. A expectativa é de que os negócios da raça superem os R$ 153 mil da mostra de 2001. Na programação estão marcados três remates. De fêmeas jovens no dia 28, de fêmeas premiadas no dia 29 e o leilão tradicional no dia 30. Todos no pavilhão leiteiro. O número
Fepagro vai expor três vacas
A Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro) fez a inscrição de fêmeas leiteiras da raça Holandês na Expointer 2002, que começa amanhã, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio/RS. Esta é a primeira vez que a instituição participa expondo animais. O objetivo é demonstrar o potencial do rebanho da entidade, produzido conforme as recomendações apontadas em pesquisas que a instituição vem desenvolvendo em suas unidades.
Os três animais selecionados pertencem ao rebanho leiteiro da Fepagro Campanha/Centro de Pesquisa da Campanha, localizada no município de Hulha Negra. Os animais descendem de um núcleo formado a partir de fêmeas importadas do Uruguai, nos anos 80, que sofreram inseminação artificial com sêmen também importado ou monta natural com touros puros de origem.
Essas reses resultam de um trabalho que vem sendo executado desde 1999, quando foram implantados o s projetos Avaliação de Pastagens Temperadas e Tropicais para a Produção de Leite na Região Sudoeste do Estado e Implementação de Técnicas de Gerenciamento de Produção de Leite a Pasto.
Fonte: Zero Hora/RS (por Lisiana dos Santos) e Correio do Povo/RS, adaptado por Equipe MilkPoint
Estratégias para incentivar os negócios na Expointer/RS
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