Estrangeiros vão produzir leite na Bahia

Publicado por: MilkPoint

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Empresários neozelandeses e brasileiros vão investir cerca de R$ 30 milhões no oeste da Bahia, ao longo dos próximos oito anos, para implantar um projeto intensivo de produção de leite que, em 2004, já deverá render 30 mil litros por dia. A meta é atingir 150 mil litros diários, quando o programa estiver totalmente implantado. A região é conhecida pelo bom desempenho no cultivo da soja, do café e do algodão e deverá se tornar importante bacia leiteira, como ocorre em Goiás e Minas Gerais.

Os investidores acabam de formar a Leite Verde Ltda., empresa que vai administrar o empreendimento, sob a orientação técnica da Universidade de Uberaba (MG). A Leite Verde já adquiriu 2,2 mil hectares de terras entre os municípios de Cocos e Jaborandi, uma área que só agora começa a receber infra-estrutura para a atividade agrícola. Em junho passado foi inaugurado o sistema de eletrificação rural. A empresa também arrendou mais 700 hectares do grupo Vale do Rio Grande, que cultiva café na região.

Alta tecnologia

Segundo informa o empresário neozelandês e representante da Leite Verde, Simon Wallace, a idéia é aliar a alta tecnologia da Nova Zelândia, maior exportador mundial, ao conhecimento dos brasileiros em relação às condições locais.

O empresário vem de uma família com tradição na atividade, o pai, David Wallace, é apontado como o maior produtor de leite da Nova Zelândia, com mais de 150 mil litros diários. Simon Wallace diz que o atual cenário econômico-financeiro brasileiro não o assusta. "Depois de dois anos procurando o lugar ideal e nove mil quilômetros rodados pelo País, pude ver que o Brasil tem gente preparada, tanto agrônomos como zootécnicos e técnicos em irrigação. Também precisa de produção de qualidade e dispõe de mercado".

A escolha do oeste da Bahia para o empreendimento deve-se, em primeiro lugar, à disponibilidade de terras apropriadas e baratas. O diretor da fazenda-escola da Universidade de Uberlândia e um dos orientadores do projeto, Eduardo Palmério, diz que o preço das terras baianas é pelo menos 20 vezes mais baixo que na Nova Zelândia. Enquanto naquele País o hectare custa, em média, o equivalente a cerca de R$ 20 mil, no oeste baiano, ficou em menos de R$ 1 mil.

Outro fator que pesou foi o alto nível de produção de matéria seca de pasto, que na Bahia é de 45 toneladas por ano e na Nova Zelândia não ultrapassa as 12 toneladas anuais. Os animais serão alimentados a pasto irrigado. A Leite Verde já está implantando quatro pivôs de 63 hectares, trabalho que deverá estar encerrado em dezembro.

Pelo modelo adotado, cada uma das quatro áreas funcionará como uma fazenda autônoma, tendo no centro do pivô uma ordenha importada da Nova Zelândia, operada por três ou quatro trabalhadores. "Teremos uma produção extremamente intensiva. A média anual será de oito vacas por hectare. A meta estimada é de 100 litros/hectare por dia", afirma Palmério.

O capim que está sendo plantado nas áreas é o Tifton 85, uma grama da variedade Cynodon importada da Flórida (EUA), mas desenvolvida na África e já adaptada ao solo da região. Já os animais serão jersey neozelandês, holandês frísio da Nova Zelândia e cruzamentos, raças mais rústicas para que tenham um bom desempenho nas condições ambientais do oeste da Bahia.

Novilhas inseminadas

Pelo projeto, após o plantio do pasto, serão introduzidas duas mil novilhas inseminadas em 2003. No ano seguinte será iniciada a produção de leite, a princípio, com 30 mil litros por dia escoados para Brasília e Goiânia. Quando a produção atingir os 50 mil litros diários, deverá ser implantada uma unidade de secagem para a ampliação do escoamento. A Leite Verde tem planos para trabalhar com 10 mil vacas.

Fonte: Gazeta Mercantil (por Maria José Quadros), adaptado por Equipe MilkPoint
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