Especial: aliança com Nestlé é a estratégia da Fonterra para ampliar atuação no Brasil

Publicado por: MilkPoint

Publicado em: - 4 minutos de leitura

Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 0

O plano da Fonterra de aliar-se com a Nestlé nas Américas é a chave para explorar as oportunidades existentes no Brasil.

No presente, a NZMP Brazil, subsidiária da Fonterra, vende 9000 toneladas de sua produção para o Brasil, equivalente a US$ 23,15 milhões. Pela aliança com a Nestlé, na forma de uma joint venture, esse número mudará radicalmente, uma vez que a empresa é líder de mercado e possui uma grande fatia do mercado brasileiro de setores lácteos de rápido crescimento, como os líquidos e refrigerados, além da produção de leite em pó.



Detalhes precisos de como a aliança trabalhará no Brasil estão atualmente em discussão e se encontram sujeitos a regulamentos e aprovações, incluindo o consentimento do conselho de administração da Fonterra.

Histórico de mercado

As operações da Fonterra no Brasil começaram a se consolidar no início dos anos 90. Apesar da companhia possuir representação no país desde 1983, foi apenas em 1994 que um escritório foi estabelecido no consulado neozelandês.

A NZMP Brazil foi formada em 1996 e a operação, que também administra negócios no Chile, emprega 32 pessoas.

O Plano Real

Craig Bell, gerente geral da NZMP Brazil, afirma que a empresa estabeleceu uma boa base no país depois que o Governo brasileiro lançou o Plano Real em 1994, para conter a alta inflação que ameaçava a atividade econômica e os investimentos.

"O Plano Real acabou com a inflação no Brasil e criou demanda, envolvendo uma classe-média que não estava previamente inserida na economia brasileira. Até a desvalorização em 1999, o Plano aumentou a demanda por produtos lácteos o que redundou no aumento de exportações para o país. Isso permitiu estabelecer nossa presença e ao mesmo tempo impulsionar negócios com nossas especialidades."

Bell afirma que seguido da desvalorização ocorrida em 1999 os preços do leite baixaram rapidamente, e que, atualmente, eles estão 20% mais baratos que na Nova
Zelândia.



"Assim, a comercialização de commodities não é viável, de forma que tivemos que nos apoiar em negócios envolvendo produtos especiais, de maior valor agregado, para passarmos por este período tão difícil. Esses acontecimentos têm sido intensificados pelo que está acontecendo na Argentina, onde há excedente de produto disponível", diz Bell.

Ele relata que a crise econômica da Argentina tem afetado a economia de todos os envolvidos com o Mercosul (Brasil, Argentina e Uruguai) durante os últimos 2 anos.

"Tem havido uma desvinculação entre o cenário da Argentina e do Brasil nos últimos 4 meses. O Brasil apresenta uma inflação muito baixa, estabilidade governamental e queda de juros. Isso tem qualificado muito bem o Brasil para a globalização.", afirma Bell.

Assuntos de mercado

Bell afirma que o ano passado foi bem difícil devido à crise da Argentina. "Com a crise na Argentina, tem havido uma enorme queda na demanda por produtos lácteos. Isso significa que o país vai exportar mercadoria para o Brasil a preços muito baixos, afetando o mercado", prevê Bell.

"Além disso, os preços do leite brasileiro caíram para US$ 0,10 a 0,12 por litro e, apesar de nós pensarmos que eles vão se recuperar, a indústria está se tornando muito eficiente de forma tão rápida, que nós precisamos crescer no mercado num prazo razoavelmente curto. Caso contrário, provavelmente perderemos o barco" alerta ele.

"Desde a introdução do Plano Real, a produção de leite doméstica cresceu de aproximadamente 3 bilhões, atingindo 20,5 bilhões de litros por ano," o que se compara com os 12 bilhões de litros produzidos pela Fonterra.

Bell diz que é barato produzir leite no Brasil, o que dá aos fazendeiros locais uma grande vantagem.

Segundo ele, os principais problemas na indústria de lácteos brasileira são estruturais. Cerca de 40% do leite local vem do setor informal da indústria, com pequenos produtores fornecendo leite principalmente para cidades do interior. Por outro lado, nos últimos 5 a 10 anos tem havido considerável consolidação e racionalização tanto na indústria quanto nas fazendas.



"Pelo fato do Mercosul possuir altas tarifas de importação, não é economicamente viável exportar produtos convencionais neozelandeses para o Brasil. Para constituir um bom mercado, nós precisamos estar envolvidos com a produção local", sentencia o dirigente da empresa, dando uma indicação precisa das intenções da Fonterra no país.

Além disso, a aliança com a Nestlé possibilitará a NZMP participar ativamente do mercado de leite em pó, visto que a empresa suíça tem grande força neste segmento.

Dumping do Leite em Pó

Outro assunto mercadológico que tem atingido as operações da NZMP no Brasil foi a acusação de dumping, dirigido a uma série de países, inclusive a Nova Zelândia, pela Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) em 1999.

Um inquérito sobre o caso foi iniciado e, em fevereiro de 2001, foi tomada a decisão de se aplicar taxas anti-dumping de 4% ao leite em pó neozelandês.

"Desde aquela decisão, nós temos expressado nosso ponto de vista. Não acreditamos que o assunto tenha sido tratado de forma apropriada às regras de Organização Mundial de Comércio (OMC) e não nos consideramos culpados de dumping e nem responsáveis por nenhum prejuízo," afirma Ken Geard, estrategista de mercado. A tarifa de 4% é aplicada sobre uma outra taxa de 27% já anexada à importação brasileira de leite em pó.

Operações da NZMP Brazil - Requeijão

A NZMP Brazil possui um bem sucedido negócio baseado em proteínas do leite e utilização de tecnologia avançada para a produção de produtos lácteos típicos no país, como o requeijão.

Este produto, por exemplo, era tradicionalmente elaborado em um processo que se estendia por 24 horas. Com o uso de cremes e proteínas, a NZMP Brazil refinou o processo e reduziu a produção para apenas 5 minutos.

Ele diz que a missão da NZMP Brazil é criar e comercializar soluções inovadoras para os lácteos. A chave para o sucesso da empresa no Brasil será a manutenção de seu foco em áreas de atuação global.



Fonte: Farmlink (fevereiro de 2002), informativo interno da Fonterra, adaptado por Equipe MilkPoint
QUER ACESSAR O CONTEÚDO? É GRATUITO!

Para continuar lendo o conteúdo entre com sua conta ou cadastre-se no MilkPoint.

Tenha acesso a conteúdos exclusivos gratuitamente!

Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 0

Publicado por:

Foto MilkPoint

MilkPoint

O MilkPoint é maior portal sobre mercado lácteo do Brasil. Especialista em informações do agronegócio, cadeia leiteira, indústria de laticínios e outros.

Deixe sua opinião!

Foto do usuário

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração.

Qual a sua dúvida hoje?