Enquete: 34% acreditam que marketing é principal solução

Publicado por: MilkPoint

Publicado em: - 7 minutos de leitura

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De acordo com a tabela abaixo, 34% dos participantes da enquete MilkPoint acreditam que o marketing institucional é uma alternativa de grande importância para evitar queda do preço do leite.

Figura 1

Marketing institucional

De acordo com os 34% dos participantes que votaram na opção marketing institucional, a realização de propagandas, visando mostrar as qualidades e a necessidade de se consumir lácteos para ter uma vida mais saudável, trará como conseqüência o aumento no consumo de lácteos.

Roberto Jank Júnior, diretor da Agrindus em Descalvado, São Paulo, salienta que o consumidor brasileiro consome somente a metade de lácteos que os argentinos consomem. Ele analisou que a tendência durante esses últimos cinco anos foi de queda no consumo. Ele avalia ser importante conquistar espaço no cotidiano e no hábito alimentar dos consumidores. "Outros países já o fizeram, com sucesso" finaliza Jank.

Para Fernando Bueno Simões Pires, produtor de leite em Santana do Livramento, Rio Grande do Sul, "o consumidor acredita em tudo o que vê". Antonio da Silva, gerente comercial da Cooperativa Mista dos Produtores Rurais de Frutal, São Paulo, pondera que, pelo fato do leite não estar entre os alimentos que investem em marketing, tem menor consumo quando comparado com outras bebidas. Martinho Mello de Oliveira, produtor de leite em Paranaíba, Mato Grosso do Sul, acrescenta que "as campanhas publicitárias iriam enaltecer as qualidades do leite e derivados para a saúde, sobrepondo aos refrigerantes e bebidas alcoólicas". Airton José Prediger, Coordenador técnico da Cooperativa Languiru, Teutônia, Rio Grande do Sul, exemplifica que o marketing informativo tem grande influência na escolha do consumidor.

Fernando Bueno Simões Pires, produtor de leite, ressalta que além de campanhas publicitárias, as exportações também ajudariam a estabilizar o preço do leite. "Precisamos nos profissionalizar no negócio leite como um todo, e não apenas em produção", analisa Pires.

Eliziario Pedrozo, produtor de leite em Paraná, esclarece que há necessidade em elevar a média de consumo leite por pessoa.

Carlos Cesar Massambani da Nutriphos Indústria e Comércio de Produtos Veterinários Ltda, Umuarama, Paraná, exemplifica que o governo poderia organizar uma campanha de forma que beneficiasse todas as marcas de leite no mercado. Segundo ele, com essa atitude estaria ajudando também os produtores. Massambani realça que "o governo poderia utilizar para isso a força dos Centros de Pesquisa (EMBRAPA) e universidades públicas com seu corpo de profissionais no assunto".

Aquisição para programas sociais

João Marcos Guimarães, técnico do Laticínio Alhambra em Itanhandu, Minas Gerais, pondera que "se o governo adquirir o leite para os programas sociais, o excedente de leite poderia ser absorvido, com isso equilibraria a oferta e o consumo do leite".

Aloísio Gomes, professor e pesquisador em Juiz de Fora, Minas Gerais, salienta que "há bons exemplos de aquisição de leite por programas sociais, melhorando a nutrição de pessoas carentes, sustentando o preço do leite e garantindo renda aos produtores". Segundo ele, trata-se de decisão política que exige melhor aplicação do recurso público. Marcelo Américo Dantas, produtor em Goiânia, Goiás, destaca que "se cada governante do Brasil adotar o leite na merenda escolar, no lanche da tarde, o preço já seria outro".

Para Paulo Sergio Ruffato Pereira, fiscal federal agropecuário do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento em Rio Bonito, Rio de Janeiro, "seria bom utilizar o leite para implementar os programa sociais, merenda escolar e Fome Zero. O risco, porém, seria o seu desvio para outros fins".

Carlos Albano Hoebel, médico veterinário da casa do pecuarista, Paraná, ressalta que, por ser o Brasil um país com enormes problemas sociais, "a população carente não tem condições monetárias para adquirir este alimento tão essencial para a saúde humana".

Rômulo Madureira Faria, engenheiro agrônomo da EMATER de Jacarezinho, Paraná, informa que "a distribuição da renda no país é uma das mais perversas". Ele adverte que a aquisição de leite por programas sociais seria uma maneira de atenuar a diferença de distribuição de renda do país, por meio de recursos provenientes do orçamento da União e dos estados. Faria enfatiza que o estado do Paraná já aderiu a esta idéia desde o início de 2003. Ele exemplifica que em algumas regiões, devido a maior concorrência dos laticínios com estes programas sociais, houve aumento do preço remunerado aos produtores, inclusive nas águas.

Outros

Para Fernando Cerêsa Neto, produtor de leite em Brasília, Distrito Federal, Luiz Cezar Faria Alonso, produtor em Niterói, Rio de Janeiro, Antonio Perozin, produtor de leite em Valinhos, São Paulo, Edmundo Trein, produtor de leite em Paranavaí, Paraná, Anderson Wulff, técnico da Frimesa em São Jorge do Patrocínio, Paraná, e Edwardus M.M. Van de Groes, produtor de leite em Holambra, São Paulo, a importação de lácteos é um grande entrave para o desenvolvimento do Brasil, pois esses produtos muitas vezes são oriundos de países que subsidiam a sua produção, ocorrendo assim concorrência desleal com os produtores de leite do Brasil e queda do preço do leite nacional.

Edivandro Souza, produtor de leite em Betim, Minas Gerais, enfatiza não existir uma fórmula mágica. Para ele, "as opções citadas acima encontram uma forte barreira denominada economia". Souza esclarece que não há como planejar produção, estimular consumo e até mesmo estocagem se não tivermos um mercado consumidor ativo e constante. Na opinião dele, a estabilização da economia, a alta das exportações, a manutenção do consumo interno e o ganho advindo da tecnificação e profissionalização do setor poderão provocar mudanças neste mercado. Ele considera que a aquisição de leite por programas sociais é uma alternativa paliativa, que não produzirá efeito em longo prazo. "Precisamos trabalhar com visão para o futuro de forma a vislumbrarmos possibilidades", enfatiza Souza. Ele ainda destaca que "a pecuária com foco no leite é uma atividade extremamente complexa e dependente de fatores que ultrapassam a porteira da fazenda e que geralmente colocam o produtor a margem das decisões". Marius Cornélis Bronkhorst, produtor de leite em Arapoti, Paraná, enfatiza que "o nosso país precisa é de uma economia estável". Ele destaca que a carga tributária para os lácteos é de 38%.

Lázaro Ubiratã Carvalho Lima, produtor de leite em Jataí, Goiás, Cleber Reynaldo Araujo da Silva, produtor em Balsas, Maranhão, Anderson Wulff, técnico da Frimesa, Leomar Martinelli, empresário em Planalto, Paraná, e Dargo da Matta Miranda, produtor de leite em Belo Horizonte, Minas Gerais acreditam que a sobrevalorização do real prejudicou a competitividade brasileira no mercado internacional, assim inviabilizando a exportação de lácteos. Lima exemplifica com o preço da mussarela: a R$5,50 - R$6,00 por quilo, remunera matéria prima em torno de R$0,32 o litro.

Leomar Martinelli, empresário, acredita que uma maneira para conter a baixa dos preços do leite é por meio da melhor qualidade do leite e desta forma ser possível atingir o mercado externo. Antonio Perozin, produtor de leite em Valinhos, enfatiza que o combate ao leite informal seria de grande importância para evitar que esta produção prejudique quem produz de acordo com as normas brasileiras. Para o gerente da UMUPHÓS - distribuidora de produtos homeopáticos em Umuarama, Paraná, há necessidade de fiscalização séria quanto à qualidade de produção do leite, criando-se etiquetas tanto no produto primário e secundário. Segundo o gerente, o produto deveria ser rastreado desde a sua produção, valorizando a matéria-prima de quem investe seriamente no ramo.

Edmundo Trein, produtor de leite em Paranavaí, exemplifica que em sua cidade há nos supermercados leite procedente do Paraguai a R$ 0,95. Trein questiona qual seria o controle de qualidade do Paraguai, uma fez que se fala tanto na adequação da produção brasileira de acordo com a instrução normativa 51.

Paulo César Resende, Contagem, Minas Gerais, salienta ser necessário ter maior comprometimento entre produtores e indústria. Ele exemplifica que deveriam ser elaborados contratos de fornecimento, definindo uma produção por produtor, de forma que o laticínio tenha que comprar somente a produção especificada no contrato. De acordo com ele, um volume de produção diferente dos termos do contrato deveria sofrer penalização. Ele acredita que com esta medida o mercado estaria se equilibrando.

Roberto Trigo Pires de Mesquita, consultor em Itupeva, São Paulo salienta que a produção de carne de vitelo seria uma alternativa para impedir a queda do preço do leite. Ele esclarece que o excesso do leite pode ser utilizado na alimentação exclusivamente de bezerros, com isso esses estariam prontos aos 140 dias e com peso vivo de 220 kg.

Campanha para controle de produção, EGF para estocagem e Nada pode ser feito

Apenas 11 % dos participantes da enquete acreditam ser viável a campanha para controle de produção para o controle do preço do leite, ao passo que 6% analisam ser o empréstimo do governo federal para estocagem (EGF) uma alternativa para impedir queda do preço do leite e 1% acredita que nada pode ser feito para reverter a queda do preço dos lácteos.

É importante salientar que a enquete MilkPoint não tem o objetivo de quantificar opiniões com rigor estatístico, apenas mostra a opinião dos leitores sobre determinado assunto. Nesta enquete, 110 pessoas votaram.

Fonte: Equipe MilkPoint
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Elizario Pedrozo
ELIZARIO PEDROZO

ENÉAS MARQUES - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 22/07/2005

A pesquisa demonstra a situação momentânea do setor, as alternativas de solução são diversas, a diversidade de opinião demonstra a complexidade de toda a cadeia láctea.



Em determinados pontos estão bem claro a opinião da maioria, não existe uma saída milagrosa.



Alguns pontos que merece a maior consideração: mercado, variação do dólar, exportação e importação, não há muito que fazer.



Certos pontos, concordo plenamente que há muito que fazer, exemplo união entre produtores, indústrias, cooperativas, associações todos os órgãos ligado a atividade, (uma ação em conjunto), como o exemple de outros países fazer um fundo para investir em marketing e divulgação do produto.



Concordo também com muitos produtores que se nós pretendemos exportar nosso sagrado produto precisamos ter qualidade.



Concordo também com o Sr. Leandro Kuhl, que não adianta ficarmos esperando apenas ações do governo, temos que fazer a nossa parte.



Torcer que as ações do governo não atrapalhassem o setor já seria um bom negócio. Exemplo este seria a IN 51, desde setembro 2002 para a sua implantação e as véspera sem saber se seria implantada ou não a mudança de datas.



As ações do governo poderiam ser diversas todo mundo sabe. Exemplo: leite na merenda escolar e leite em programas sociais.



Justiça seja feita, pois em alguns estados já implantaram a compra pelo governo parte do excesso do produto no mercado para estoque.



Falar mais é tornar repetitivo as diversas matérias publicadas pela MilkPoint, o que fazer a maioria sabe.



Precisamos sair do campo das idéias e partir para ação, união em todo o setor: produtor, indústria e governo.



A palavra chave é a profissionalização. Sou em pequeno produtor, amo o que faço, acredito na atividade, e posso estar errado mais é o meu ponto de vista.
evertongonçalvesborges
EVERTONGONÇALVESBORGES

IBIÁ - MINAS GERAIS

EM 21/07/2005

Concordo plenamente que o gargalo está no consumo interno que precisa de um grande marketing para elevá-lo.



Os produtores, indústrias, autoridades e pesquisadores precisam não só falar em marketing mas principalmente em praticá-los, pois tem sido comum e o MilkPoint pode comprovar, em quase todos eventos que participamos sobre alimentação, e mesmo quando o assunto é especificamente leite, não temos visto a presença do leite nos Coffee Break, e sim a oferta em abundância de refrigerantes.



O dever de casa deve começar em casa.
Qual a sua dúvida hoje?