Embrapa tem programa para melhorar produção de leite

Publicado por: MilkPoint

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A modernização da agricultura brasileira exige modificações no perfil técnico, econômico e gerencial dos produtores, já que há desequilíbrio na competitividade dos diversos segmentos que compõem a cadeia brasileira do leite. "Possivelmente o segmento produtor seja o mais afetado por causa de uma série de aspectos que o envolvem", afirma o pesquisador da Embrapa Pecuária Sudeste, Airton Manzano, apontando como responsáveis pelo problema a falta de organização e representatividade, os preços baixos, o crédito insuficiente, a baixa produtividade, a falta de informação, de assistência técnica e de utilização de tecnologia, além do baixo poder aquisitivo do consumidor, entre outros pontos.

Na opinião de Manzano, todos esses fatores, de alguma forma, contribuem para o baixo desempenho da atividade. Ele afirma, porém, que o que mais afeta o processo produtivo é o uso das práticas gerenciais, como o controle zootécnico do rebanho, a análise econômica e contábil dos sistemas de produção, a comercialização de produtos e as práticas de associativismo e de agregação de valor.

Na opinião do pesquisador, é importante levar em consideração, no planejamento da propriedade, o não-aproveitamento racional da área da propriedade, animais de baixa eficiência reprodutiva, instalações caras e sub-utilizadas, uso de alimentos concentrados de forma indiscriminada, volumosos de baixa qualidade e aquisição de máquinas e implementos sem estudos prévios que justifiquem sua compra.

"O produtor rural tem de se profissionalizar, e somente dessa forma obterá lucro em seu negócio", afirma, sugerindo a atuação conjunta dos segmentos envolvidos na cadeia do leite com o objetivo de proporcionar ao setor produtivo embasamento técnico e principalmente gerencial.

Projetos

Com o objetivo de demonstrar a importância de práticas gerenciais e agropecuárias, a Embrapa Pecuária Sudeste está desenvolvendo dois projetos em 29 estabelecimentos familiares nas regiões de São Carlos, Jales, Votuporanga e Fernandópolis, no Estado de São Paulo, além de Muriaé, em Minas Gerais.

A idéia, segundo Manzano, é promover e adaptar conhecimentos e tecnologias para sistemas de produção de leite, visando o fortalecimento agrícola e socioeconômico de estabelecimentos familiares de maneira sustentável, e adotar ações de pesquisa e desenvolvimento e gerenciais sob o enfoque sistêmico. O programa é realizado por meio de equipe multidisciplinar, constituída por técnicos nas áreas de produção, economia aplicada e métodos quantitativos e multinstitucional, juntamente com diferentes órgãos de extensão.

O projeto pretende determinar o perfil tecnológico das propriedades, abrangendo os aspectos técnico, ambiental, social e econômico. Além de avaliar o potencial produtivo, esse diagnóstico permite elaborar o planejamento de toda a propriedade, além de definir o monitoramento econômico e zootécnico, que é realizado por meio de planilhas elaboradas pelos pesquisadores da Embrapa Sudeste. "Essas planilhas detectam os gargalos existentes nos sistemas de produção, permitindo que os técnicos adotem procedimentos que solucionem ou mesmo reduzam os problemas encontrados".

Na tabela abaixo são apresentados alguns resultados para as regiões de São Carlos (SP) e Muriaé (MG), que refletem positivamente as práticas agropecuárias, ambientais e gerenciais adotadas nos estabelecimentos familiares. O ano de 1998 representa o início do projeto, ou seja, sem a intervenção dos pesquisadores, enquanto o de 2001 representa o resultado acumulado de três anos de adoção pelos produtores das tecnologias propostas.

Os dados sobre São Carlos mostram que houve aumento na receita de 68,5%, como conseqüência dos aumentos da produção de leite de 23,1% e do valor do leite recebido de 38%. O lucro por hectare foi altamente significativo, mostrando aumento de 184,1%. Neste item foi levada em consideração a venda de animais. Os produtores, em média, estavam perdendo R$ 0,035/litro quando do início do trabalho, passando a um lucro de R$ 0,078/litro no fim do projeto (observação do MilkPoint: a tabela abaixo considera apenas o custo operacional). Houve, também, aumento de 32,1% na produção/vaca/ano, o que levou ao aumento de 35,8% na produção de leite/hectare.

Os dados referentes a Muriaé indicam que a venda do leite aumentou 73,5%, em função dos aumentos da produção de 49,7% e de 41,9% no valor recebido por litro de leite. O lucro por hectare foi de 191,4%, quando comparados os dados obtidos em 1998 e 2001. A produção por hectare em 2001 foi 49,1% superior à de 1998, ocorrendo o mesmo com o lucro por litro de leite, que foi de 101,8%. A produção/leite/vaca aumentou em 22% e o número de vacas no rebanho em 19,3%.

Resultados



Fonte: O Estado de São Paulo, Suplemento Agrícola, adaptado por Equipe MilkPoint
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