Embalagem de longa vida não é a causa da crise do leite

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O gerente de marketing e desenvolvimento de negócios da Tetra Pak chegou ontem em Porto Alegre (RS) para depor na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Estado, após ter participado das CPIs de Minas Gerais e de Santa Catarina. Segundo ele, as principais causas da atual crise do leite, que gerou a formação de CPIs em vários estados do País, são o aumento da produção – 8% em relação ao ano passado – e uma retração da demanda – queda de 21% em relação a 2000. Além disso, ele citou a utilização do leite importado em programas sociais e merenda escolar, principalmente nos âmbitos estaduais e municipais, em substituição ao leite nacional.

A Tetra Pak – principal fornecedora de embalagens para leite longa vida – foi acusada de ser responsável pelo aumento dos custos na cadeia do leite e, conseqüentemente, da diminuição dos preços pagos aos produtores.

“Já estou me especializando em participar de CPIs, por todo o País, demonstrando que o preço da embalagem não é o responsável pela crise. O preço da embalagem é de apenas R$ 0,19 e se mantém neste patamar desde 1997, quando o preço do leite longa vida ao consumidor, no mesmo período, oscilou de R$ 0,65 a R$ 1,11, chegando a ser de R$ 1,23 em 2000. Estas crises de preços pagos ao produtor serão periódicas e cíclicas enquanto a produção não for disciplinada e não houver aumento do consumo.” Segundo Oliveira, o brasileiro consome 56 litros de leite per capita desde 1995.

Enquanto outras bebidas têm seu consumo incentivado por campanhas publicitárias, ninguém divulga a importância de beber leite. Nos Estados Unidos, são aplicados, anualmente, US$ 150 milhões na propaganda do leite.

Segundo Oliveira, outras causas da crise atual no setor produtivo são a falta de política de incentivo ao consumo de leite e educação alimentar saudável, ausência de recursos para estocagem de produtos na safra, altos impostos incidentes sobre toda a cadeia com grandes variações regionais e concorrência desleal dos 8,6 bilhões de litros de leite não tratados e não fiscalizados comercializados no País.

O executivo da Tetra Pak acha difícil resolver esta situação a curto prazo, mas acredita que, a partir de fevereiro, a situação deverá começar a melhorar para os produtores de leite “porque a produção tende a cair, em conseqüência do clima, e porque as importações estão diminuindo por causa de iniciativas anti-dumping do governo brasileiro e, principalmente, do aumento do dólar.”

Fonte: Gazeta Mercantil (por Danilo Ucha), adaptado por Equipe MilkPoint
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