As importações brasileiras de lácteos somaram 197,6 mil toneladas entre janeiro e novembro deste ano, com despesas de US$ 226,6 milhões, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), consolidadas pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Se comparadas ao mesmo período do ano passado, as compras externas de lácteos registraram crescimento de 44,5% em volume e de 32,3% em receita.
Projeções indicam que as importações devem atingir US$ 250 milhões neste ano, crescimento de 38,8% sobre as compras de 2001, que somaram US$ 180 milhões. O principal item da pauta é o leite em pó, que somou 103,5 mil toneladas até novembro, ou US$ 160 milhões. As importações do produto dobraram em relação ao volume adquirido entre janeiro e novembro de 2001 (51,5 mil toneladas) e cresceram 50,4% em receita.
Segundo o presidente da comissão de leite da CNA, Rodrigo Alvim, o aumento das importações se deve à falta de matéria-prima no mercado interno em razão do desordenamento causado pela crise enfrentada pelo setor em 2001. A acentuada queda dos preços ao produtor no segundo semestre de 2001, quando os pecuaristas tiveram sua remuneração reduzida para R$ 0,27 por litro de leite, desestimulou investimentos em nutrição animal e genética.
Mesmo com o aumento do preço pago ao produtor ao longo de 2002, que atualmente se situa, em média, em R$ 0,40 por litro, não houve estabilidade no segmento. Isso porque os custos de produção cresceram muito no decorrer deste ano. Insumos básicos, como milho, soja, e produtos veterinários, subiram entre 36% e 83% este ano, em razão da desvalorização do real.
Os principais fornecedores de lácteos para o Brasil são Argentina e Uruguai.
Entre janeiro e novembro as exportações de lácteos da Argentina somaram 191,4 mil toneladas, equivalentes a US$ 288,1 milhões, informa o Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar (Senasa) daquele país.
As exportações argentinas de leite somaram 144,1 mil toneladas (US$ 214,8 milhões), crescimento de 46% sobre 2001. Entre janeiro e novembro os principais destinos dessas exportações foram Brasil, com 64,4 mil toneladas e Argélia, com 22,3 mil toneladas.
Embora ainda importador, o Brasil tem potencial para se tornar um importante exportador mundial. Entre janeiro e novembro, as vendas externas somaram 38 mil toneladas, movimentando US$ 38,2 milhões. O desempenho é 123,5% maior em volume e 75% melhor em receita sobre as vendas do ano passado, quando as exportações de lácteos se situaram em 25 mil toneladas, movimentando US$ 25 milhões. "O melhor desempenho tem sido do leite condensado, que já é comercializado em mais de 30 países", diz Alvim.
A expectativa é de que em 2002 as exportações de lácteos se situem em 40 mil toneladas, movimentando US$ 40 milhões.
Fonte: Gazeta Mercantil, adaptado por Equipe MilkPoint
Despesas com importações de lácteos subiram 32% nos primeiros 11 meses de 2002
Publicado por: MilkPoint
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