Danone entra no mercado de água mineral no Brasil

A Danone está dando o primeiro passo para ganhar espaço no setor de águas minerais no Brasil: a aquisição da Icoara Indústria de Águas, de Jacutinga (MG). O grupo francês é líder mundial em água mineral, com marcas famosas como Evian e Volvic. O negócio deve ser anunciado amanhã pelo presidente da companhia no Brasil, Gustavo Valle.

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A Danone está dando o primeiro passo para ganhar espaço no setor de águas minerais no Brasil: a aquisição da Icoara Indústria de Águas, de Jacutinga (MG). O grupo francês é líder mundial em água mineral, com marcas famosas como Evian e Volvic. O negócio deve ser anunciado amanhã pelo presidente da companhia no Brasil, Gustavo Valle.

A Icoara (que significa água pura da fonte, em tupi-guarani) pertencia a Caio Eduardo Monteiro da Silva, empresário de Campinas (SP), que há dois anos investiu R$ 10 milhões para fundar a empresa, com sócios, para engarrafar água mineral e produzir uma das únicas marcas de águas aromatizadas com autorização oficial para ser denominada "mineral" no país. A empresa comercializava o produto nas versões limão, framboesa, uva, abacaxi e tangerina. O faturamento no ano passado da Icoara ficou ao redor de R$ 300 mil. Fontes ligadas à prefeitura de Jacutinga disseram que o negócio com a Danone foi fechado por aproximadamente R$ 8 milhões.

A aquisição é crucial para a Danone continuar expandindo sua divisão de águas, praticamente estável na Europa. Fora da Europa, onde a divisão tem 60% de seu faturamento, a coisa muda. Principalmente na América Latina, mais especificamente no México e na Argentina, as águas da Danone cresceram em volume e valor entre 15% e 19%. Daí a necessidade de expandir para o Brasil. Aqui, o mercado de águas minerais cresceu 26,67%, entre 2003 e 2007, passando de R$ 1,5 bilhão de litros para R$ 1,9 bilhão. Em valores, o salto, entre 2003 e 2007 foi de 57,16% movimentando R$ 1,2 bilhão, segundo dados Nielsen.

Outro atrativo para a Danone é que esse mercado tem potencial para dobrar de tamanho, somente em águas (sem sabor), uma vez que o produto é consumido por apenas 50% da população. O consumo per capita hoje é da ordem de 33 litros por habitante ao ano.

Mas a Danone não quer apenas ficar em águas, com gás ou sem gás. O plano maior seria entrar já no ano que vem no segmento de "saborizadas minerais", bem pouco explorado no Brasil (onde a maior ênfase fica com os refrigerantes com menor gaseificação e sabor mais leve). A marca adotada pela Danone, que já iniciou campanha publicitária no rádio e TV na região de Jacutinga e no interior de São Paulo, não serão as internacionais Evian e Volvic, mas sim "Buona Fonte".

A matéria é de Lílian Cunha, publicada no jornal Valor Econômico, adaptada e resumida pela Equipe MilkPoint.
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