Custos da produção leiteira sobem mais do que preços em Goiás

Publicado por: MilkPoint

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Os preços pagos aos produtores de leite registraram uma recuperação de 28,9% em julho, quando comparados aos níveis praticados em idêntico mês do ano passado. Desde julho de 1994, o produto acumulou uma variação nominal de 71,95%. Ainda que houvesse algum ganho real, a escalada dos custos de produção, que subiram em ritmo muito mais forte, ajudou a "aniquilar o eventual ganho obtido pelo produtor", aponta estudo realizado pelo economista do Departamento Econômico da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Goiás (Faeg), Edson Alves Novaes.

Na verdade, em valores atualizados, o preço do leite teve uma queda real em torno de 10% desde julho de 1994. Para empatar com os valores recebidos no início do Plano Real, os preços médios pagos ao produtor deveriam ter alcançado pouco mais de R$ 0,40 por litro no mês passado. Os preços dos principais insumos utilizados pela pecuária leiteira, no entanto, subiram bem mais do que a inflação do período.

Contraste de preços

Em oito anos, a inflação apurada pela Secretaria de Planejamento do Estado (Seplan-GO) acumulou uma variação ao redor de 91%. Para quase todos os insumos, as altas superaram de longe tanto a inflação quanto o aumento do preço do leite. "Podemos ponderar, a partir dos dados, que os custos finais da atividade devem ter sofrido aumento significativo, provocando a descapitalização do produtor", aponta Novaes.

A mão-de-obra, que representa entre 16% e 17% dos custos totais do setor, apresentou um aumento de 366,7% desde julho de 1994, seguido por um salto de 220,4% para o litro da gasolina. Com 28,6 litros de leite, em julho de 1994, o produtor pagava o salário/hora de um pedreiro. Hoje, precisaria vender 77,5 litros para pagar o mesmo serviço (171% a mais).

O diesel ficou 197,5% mais caro. O farelo de soja também triplicou de preço, subindo 215,7% no período, superando a alta de 163,2% acumulada pela soja em grão. O preço do milho mais do que dobrou (+113,9%) e as rações, dependendo de sua formulação, aumentaram entre 107,8% e 130,6%. Os alimentos concentrados respondem por pouco mais de 20% do custo total da atividade.

Os preços dos fertilizantes aumentaram entre 165,6% e 183,5%, encarecendo os custos para reforma e recuperação de pastagens.

Um dos reflexos dessa perda de poder de compra, com conseqüente queda da capacidade de investimento, prossegue o economista, foi uma redução em torno de 15% no total de produtores dedicados à produção de leite no Estado. Entre o final de 1999 e início de 2000, a Faeg estima um total de 65 mil produtores na atividade, número reduzido para algo perto de 55 mil hoje.

Desde 1995, o rebanho de vacas ordenhadas no Estado sob fiscalização da Delegacia Federal da Agricultura em Goiás (DFA-GO) encolheu 25,4%, passando de 2,680 milhões de animais para 2,0 milhões em 2000. "A crise do ano passado pode ter reduzido o rebanho ainda mais. No máximo, Goiás conseguiu manter o mesmo número de vacas ordenhadas", comenta Novaes.

Uma pesquisa realizada em julho pela Faeg, envolvendo 17 cooperativas de produção de leite sob inspeção federal, mostrou uma redução de 15% no volume de leite captado, quando comparado ao mesmo mês do ano passado. De acordo com Novaes, aquelas cooperativas receberam 803,106 mil litros/dia em julho deste ano, diante de 945,235 mil litros/dia no mesmo período de 2001.

Alterações contratuais

A redução pode ter sido influenciada por alterações contratuais (o produtor pode ter escolhido outra indústria para entregar sua produção) ou mudanças de mercado provocadas pela chegada de novos concorrentes. Novaes frisa, no entanto, que aquelas cooperativas mantiveram praticamente inalterado o número de produtores, o que reforçaria a hipótese de uma retração real da produção. As cooperativas pesquisadas respondem por 17% da produção diária total do Estado e por 25% da produção inspecionada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Os números da DFA-GO dizem respeito ao primeiro semestre do ano, refletem apenas o leite captado sob inspeção federal e mostram, igualmente, tendência de baixa. Entre janeiro e junho deste ano, a captação somou 759,124 milhões de litros, o que correspondeu a uma redução de 1,83% em relação aos 773,260 milhões de litros captados no primeiro semestre do ano passado.

Fonte: Gazeta Mercantil (por Lauro Veiga Filho), adaptado por Equipe MilkPoint
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