Custo da embalagem cria polêmica em CPI do Paraná

Publicado por: MilkPoint

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O preço do litro de leite pago ao produtor é de fato menor que o custo da embalagem? A resposta a esta indagação continuou suspensa no ar ontem pela manhã, durante mais uma audiência pública da CPI do Leite do Paraná, realizada no plenarinho da Assembléia Legislativa sob a presidência do deputado Orlando Pessuti (PMDB). Enquanto o diretor da Ocepar (Organização das Cooperativas do Paraná), Nelson Costa, sustentava que o valor da embalagem representa cerca de 28% do preço final do produto, os executivos da Tetra Pak, fabricante das "caixinhas" do leite longa vida, garantiam que este percentual nunca ultrapassou os 18%." Não existe relação entre a remuneração do produtor e os custos do setor industrial. A formação do preço depende do poder de consumo e da renda da população", observou o gerente geral de marketing da Tetra Pak, Luís Guilherme.

Segundo ele, o preço de cada embalagem produzida na fábrica de Ponta Grossa é R$ 0,19, não embutido neste valor a alíquota do ICMS, que pode variar de 7% a 18%, dependendo da política de incentivos fiscais vigentes em cada Estado. No Paraná, o valor pago pelo litro de leite pode variar de R$ 0,18 (centavos de real) a R$ 0,36, dependendo da região. O Estado produz anualmente 400 milhões de litros de leite longa vida, enquanto no País a produção anual do produto é de 3,5 bilhões de unidades.

Os representantes da Tetra Pak também responderam às acusações de que a empresa detém o monopólio na fabricação de embalagens no mercado brasileiro. "Monopólio é uma palavra pesada. O mercado é aberto. Rechaçamos essa afirmativa, mesmo porque temos dois concorrentes no Brasil, um fabricante alemão e outro americano", reagiu o diretor de marketing, Paulo Rochet. Sobre as denúncias de que o alumínio presente na embalagem do longa vida é uma ameaça à saúde dos consumidores, Rochet foi taxativo: "por que ninguém questiona as latas de alumínio utilizadas para os refrigerantes?", indagou. Segundo ele, a "película" de alumínio serve para proteger o leite da ação da luz.

Se depender da vontade dos seus executivos, a Tetra Pak não deverá fornecer sua planilha de custos à CPI do Leite. Ontem, durante a audiência pública, os dados foram solicitados informalmente pelo relator da CPI, deputado Cezar Silvestri (PPS). O parlamentar observou, no entanto, que mecanismos jurídicos desobrigam a empresa de prestar este tipo de informação. Os representantes da Tetra Pak alegaram que a planilha de custos da empresa é como uma ''receita de bolo'' e, ao divulgá-la, estariam revelando a fórmula de produção da embalagem. Diante da insistência dos deputados, eles se comprometeram a buscar uma forma de passar a informação, sem comprometer o sigilo da produção.

Propostas

Enquanto a polêmica sobre custos da embalagem e monopólio na sua fabricação divide produtores e representantes da indústria, as propostas para tirar o setor leiteiro da crise levam ambos a falarem a mesma língua. Eles defendem o preço mínimo para o litro de leite e uma política de leis específicas para combater a cartelização do setor varejista.

Na visão da Tetra Pak, é fundamental desenvolver campanhas para estimular o consumo do produto, ao mesmo tempo em que o governo federal não deveria utilizar leite importado em seus programas de alimentação escolar.

Outros depoimentos

Além dos representantes da Tetra Pak, ontem também foram ouvidos pelos deputados da CPI o representante da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Nelson Costa, e o presidente do Sindileite, Wilson Thiesen. Eles também alegam que as indústrias não são responsáveis pelas distorções dos preços praticados ao longo da cadeia do leite. Segundo Costa, a margem de lucro da indústria hoje é de menos de 1%.

Na terça-feira da semana que vem, a CPI vai ouvir os representantes da Associação Paranaense dos Supermercadistas (APRAS).

Fonte: Paraná On Line, Folha de Londrina (por Denise Ângelo) e Gazeta do Paraná, adaptado por Equipe MilkPoint
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Antonio Perozin
ANTONIO PEROZIN

VALINHOS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 19/03/2002

Em relação à embalagem do leite longa vida, fica fácil questionar seu custo na formação do preço final do leite, com a seguinte pergunta: qual o produto que o custo de sua embalgem fica entre 25% a 35% do preço pago pelo consumidor final?

Se isso não for importante, fica a questão de como um País pobre como o Brasil, pode jogar anualmente no lixo R$ 1.650.000.000,00 em embalgens de leite longa vida, sem levar em conta que estas embalagens demorarão de 50 a 100 anos para se degradarem na natureza.
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