Nas vésperas de uma primavera que será muito boa do ponto de vista forrageiro e na qual, como conseqüência, a produção leiteira terá um forte aumento, a indústria láctea do Uruguai enfrenta problemas importantes para vender seus produtos, tanto no mercado externo como no mercado local.
As opiniões são diferentes e as realidades também. Alguns mercados permanecem fechados aos produtos lácteos uruguaios, como por exemplo, o mexicano. Em agosto, o México deverá enviar uma missão ao Uruguai, para averiguar as condições sanitárias do país. Outros mercados, como o Brasil e a Argentina, passam por uma crise econômica severa, com a desvalorização de suas moedas e com o escasso crescimento econômico. O único país que vem mantendo suas relações comerciais nesse setor normais é a Venezuela, fato que o Uruguai espera que permaneça por mais tempo.
No mercado interno, a recessão econômica vem causando um impacto, principalmente nos níveis de consumo, particularmente dos produtos que não são imprescindíveis na dieta básica familiar. Dessa forma, existe uma grande preocupação que ocorra um aumento da produção de leite, causando um sobreoferta de matéria-prima nos próximos meses.
Empresas
A principal empresa láctea do Uruguai é uma das que mais sofre as conseqüências da situação internacional complicada. "Para a Conaprole, os melhores mercados seguem sendo a Venezuela, os Estados Unidos e o México que, apesar de ter fechado esse comércio, continua sendo o segundo maior mercado em importância", disse Nelson Laurino, encarregado das exportações da Conaprole.
Com relação aos mercados do Cone Sul, Laurino disse que observa-se duas situações muito diferentes. "Por um lado, no Brasil, estamos perdendo competitividade e reduzimos as exportações em quase 50%. Por outro, as exportações para a Argentina estão crescentes, mas estamos preocupados devido à instabilidade econômica pela qual o país está passando."
O vice-presidente da Parmalat do Uruguai informou que a situação atual é "muito grave, porque a demanda está bastante baixa, e esperamos um aumento muito grande na produção de leite, pois há indícios de que a primavera será muito boa".
Segundo ele, o único país com o qual o Uruguai está mantendo boas negociações é a Venezuela. O vice-presidente explicou que existem muitas expectativas para que o mercado venezuelano tenha uma abertura muito maior. "Isso depende das lincenças outorgadas pelo país." No início do ano, o governo venezuelano habilitou uma licença para o comércio de produtos lácteos, com validade de 6 meses, que determinou uma cota máxima de 2,2 mil toneladas, distribuídas entre as empresas do país. Após cumprida essa cota, são necessárias outras licenças, as quais dependem da solicitação do importador e de uma autorização do governo.
"Durante o primeiro semestre exportamos muito pouco, nossas exportações poderiam ser muito maiores se não existissem as licenças", disse o vice-presidente da Parmalat. Atualmente, a empresa exporta entre 30 e 50 toneladas mensais de queijos para a Venezuela.
Analisando os demais mercados, o empresário disse que o Brasil está ausente nas negociações, devido à desvalorização do Real. A Argentina está importando quantidade muito pequena, e o México permanece fechado, devido ao problema da aftosa.
Com relação ao mercado interno, o vice-presidente da Parmalat disse que atualmente o país passa por um momento de muita competitividade, marcado principalmente pelo comércio informal de queijos artesanais. Há também a competição gerada por algumas empresas argentinas. Além disso, o país passa por um momento de recessão.
fonte: El Observador, adaptado por Equipe MilkPoint
Crise regional afeta o setor leiteiro do Uruguai
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