As indústrias de lácteos do Rio Grande do Sul estão sentindo os efeitos da crise de energia - com risco de apagão - que acomete a região central do País. A principal razão disso é que houve uma queda no consumo de leite, devido à necessidade de desligar a geladeira. Com a menor demanda, o preço do leite caiu, obrigando as empresas a pensarem em alternativas ao produto.
Um exemplo disso é a Elegê Alimentos S.A., de Porto Alegre (RS), que comercializa cerca de 60% de sua produção - prevista em 810 milhões de litros de leite para este ano - em outros estados. Segundo Ernesto Krug, diretor de planejamento e de política leiteira da empresa, há a possibilidade de a Elegê vir a investir pesado em produtos não refrigerados, ou reduzir as tradicionais embalagens de um litro do tipo longa vida, evitando o acondicionamento sob refrigeração. "Não temos posição tomada. Opção de fluido não existe, mas podemos optar por investir mais em leite em pó ou leite modificado." Ele informou que está se especulando muito acerca da redução das embalagens longa vida, o que favoreceria o consumo do produto todo em uma refeição, sem necessidade de refrigeração. "Mas o custo da embalagem é muito alto e não compensa."
Krug disse que outros fatores que vêm contribuindo para a queda nos preços são o desemprego e o crescimento na produção no primeiro semestre do ano. "Normalmente, a única região onde há crescimento na entrega de leite no primeiro semestre é o Sul, mas neste ano cresceu em todo o Brasil. Em plena entressafra tivemos aumento de produção." Em 2000, o Rio Grande do Sul foi responsável pela produção de 1,4 bilhão de litros de leite com Inspeção Federal, maior produtor nacional.
Segundo Krug, o produtor gaúcho vinha recebendo uma boa remuneração desde o início do ano. Porém, com a alta na produção e a redução no consumo, a queda nos preços - tanto ao consumidor como ao produtor - aconteceu em todo o Brasil. Segundo ele, a redução no preço pago ao produtor variou de R$ 0,04, no Rio Grande de Sul, a R$ 0,20, em Goiás.
A expectativa de Krug é de que, a partir do dia 20, cesse a queda nos preços do produto, devido à má remuneração - com conseqüente desestímulo à produção - e ao clima.
fonte: Gazeta Mercantil (Marcela Duarte), adaptado por Equipe MilkPoint
Crise de energia reduz cotação do leite na indústria gaúcha
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