Com rebanho estimado em três milhões de cabeças de búfalos, o Brasil detém o maior rebanho bubalino das Américas. Segundo a Associação Brasileira dos Criadores de Búfalos (ABCB), a região Norte concentra metade do rebanho nacional, de cerca de 1,5 milhão de animais.
"Nosso problema é produtividade. Do total de rebanho, só cinco mil fêmeas produzem 10 litros ou mais de leite. Se computarmos as que produzem entre seis e sete litros, teremos entre 20 mil e 40 mil animais. É baixo para atender a demanda por derivados de búfalos", diz o presidente da ABCB, Rogério Rocha Loures.
Selo de garantia
Hoje, existem apenas 12 laticínios certificados com o selo de pureza da associação. Não existem, diz Loures, estatísticas sobre a produção e o consumo de derivados, nem de quantos laticínios estão em atividade no País. "Mas toda produção de derivados não atende à necessidade do País", garante.
Ele diz que o desafio é criar plataformas que promovam o aumento do consumo no mercado interno sem esquecer o potencial, a longo prazo, do exterior. "A mussarela de búfala é um dos principais itens de exportação da Itália. Ali existe um rebanho com 150 mil animais, todas com alta produtividade. Os EUA vão gastar bilhões de dólares em importações de produtos que tenham pouco colesterol e baixo teor de gordura. O búfalo está inserido neste contexto", diz. A carne de búfalo quando comparada com a bovina possui 55% menos calorias, 40% menos colesterol, 12 vezes menos gordura, 11 vezes mais proteínas e 10 vezes mais minerais.
No Nordeste, um dos principais estados produtores é Pernambuco. Nos últimos anos, o rebanho pulou de 300 para 85 mil cabeças, segundo levantamento conjunto da Secretaria de Produção Rural do Estado, Associação dos Bubalinocultores de Pernambuco (Asbupe) e Sociedade Nordestina de Criadores.
A atividade movimenta R$ 18 milhões/ano em Pernambuco. "O custo do búfalo é 50% menor que o do bovino. Alem disso, o animal alcança o peso ideal para abate, de 420 quilos, em 18 meses enquanto o boi atinge, na média, em três anos", diz o presidente da Asbupe, Ricardo Rodrigues.
A maior parte do rebanho local (raças murrah e jafarabad), está concentrada na Mata Sul, Mata Norte e Agreste. Não é à toa que nestas regiões estão localizados os dez laticínios em atividade do Estado. Destes, nove foram implantados nos últimos dois anos. Os projetos consumiram R$ 6 milhões e foram financiados em até 70% pelo Banco do Nordeste.
Demanda maior
"A demanda é maior do que a oferta. Os laticínios pernambucanos produzem oito toneladas/semana de derivados de leite de búfala e o Estado importa outras 11 toneladas de São Paulo e Sergipe", diz Rodrigues. O consumo está concentrado em delicatessens, supermercados, hotéis de alto padrão e restaurantes. O preço do quilo da mussarela de búfalo chega a R$ 19 em PE.
Um dos principais problemas dos pecuaristas está relacionado ao abate dos búfalos na medida em que Pernambuco não possui abatedouro industrial de porte. O Estado só conta com abatedouros municipais. Isso tem levado produtores a abaterem animais pagando só a taxa referente ao abate. Neste caso, o búfalo passa a ser computado como boi.
O expediente também é usado por conta do ICMS, que no caso dos búfalos chega a 17% em relação a 6,5% do boi. Rodrigues quer formar cooperativa com produtores para montar abatedouro próprio para búfalos, orçado em R$ 5 milhões.
Fonte: Gazeta Mercantil (por Paulo Emílio e Adriana Thomasi), adaptado por Equipe MilkPoint
Criadores do Nordeste investem em búfalos
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