Criação de búfalo chega ao planalto paulista

Publicado por: MilkPoint

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A criação de búfalos no Estado de São Paulo, tradicionalmente restrita ao Vale do Ribeira, poucos metros acima do nível do mar, subiu a serra e está se espalhando pelo planalto. Na região de Sorocaba, pequenos criadores de gado bovino estão trocando as vacas leiteiras pelas búfalas, com resultados surpreendentes. Enquanto o produtor de leite de vaca recebe cerca de R$ 0,25 por litro, quem optou pelos bubalinos está vendendo o mesmo produto por R$ 0,65. Quase todo o leite é usado na fabricação de queijos.

Mais rústicos e, ao contrário do que se apregoa, bastante dóceis, os búfalos também são bons produtores de carne. Eles se adaptaram às condições climáticas e, graças à imersão em lagos e açudes, suportam bem a baixa umidade relativa do ar. Conseguem, ainda, extrair seu alimento de pastos menos cuidados, transformando em comida ervas e arbustos considerados pragas. Se recebem um manejo mais sofisticado, respondem prontamente, com aumento de produtividade.

Integração

O pecuarista José Batista de Proença, um dos pioneiros na criação de búfalos no município de Pilar do Sul, desenvolve na região um singular projeto de integração com bubalinos.

Ele entrega matrizes para pequenos produtores, chamados parceiros, e estes exploram a produção de leite durante três anos, quando as búfalas são devolvidas. As crias obtidas nesse período são divididas e o parceiro pode continuar com seu próprio criatório. "É uma forma de difundir a criação e multiplicar o processo de seleção de animais", explicou.

Proença dispõe de 80 búfalas da raça murrah já produzindo, além de bezerros, novilhas e touros. As novilhas são repassadas aos parceiros com 33 meses, com a primeira prenhez confirmada. A maioria já vai coberta pelo touro Gigante, um dos principais reprodutores da região. No contrato que assina com os parceiros, ele exige que as coberturas seguintes sejam feitas por animais selecionados da raça murrah. "Só assim conseguimos assegurar a evolução genética do plantel."

O criador Miguel Ângelo de Carvalho, de Pilar do Sul, um dos integrados, afirma que os búfalos salvaram seu sítio. Ele criava vacas holandesas para produção de leite, mas o preço não pagava o custo da alimentação. "Se eu tivesse continuado com as vacas já tinha quebrado." Numa área de 26 hectares, Carvalho mantém, agora, um plantel de 71 bubalinos, sendo 34 matrizes, 12 novilhas e 25 bezerros, tratados em regime de semi-confinamento. As búfalas produzem 9,8 litros de média, garantindo produção diária de pelo menos 300 litros e uma renda bruta mensal de R$ 6 mil. O leite é entregue ao laticínio Santo Antônio, de São Miguel Arcanjo, que absorve grande parte da produção regional. O trato dos animais é complementado com silagem de pé de milho. A região é grande produtora de milho verde e Carvalho fica com o que sobra das roças, usando cevada para enriquecer o material. Os silos comportam 800 toneladas. Ele pretende ampliar a produção de leite. "Quero chegar a mil litros diários."

Outro parceiro, Jeremias Correa da Cruz, mantém um plantel de 50 animais, incluindo um touro, em um sítio de 37 hectares no município de Sarapuí. A terra arenosa não é boa para a agricultura, mas aceita bem o capim braquiária, que tem raízes fundas. "Os búfalos apreciam também as pragas, como sapé, rabo-de-burro e vassoura, que o gado bovino não come." Cruz desistiu da criação de vacas por causa do preço do leite. Ele cria bubalinos há sete anos e faz a ordenha mecânica das 30 búfalas. "Com um pouco de trato, elas me dão média de 10 litros por dia." Além do pasto, Cruz fornece porções de cana, capim napiê e ração às leiteiras. A maior parte das 30 búfalas dá uma cria por ano. As fêmeas Jardineira e Mulata, ambas de 4 anos, pesando cerca de 750 quilos, estão com a segunda cria ao pé. Os bezerros serão desmamados com 10 meses. Com a renda do sítio, ele mantém a família - a esposa e dois filhos - em uma confortável casa na cidade. "Já fiz muita lavoura, mas encontrei meu caminho no búfalo".

O pecuarista Delcides Nunes Paifer, de Sarapuí, é um dos mais recentes parceiros de Proença. Ele está com 11 matrizes e 1 touro. No início de janeiro, seis búfalas estavam prestes a parir. Paifer ainda mantém um plantel de bovinos, mas pretende substituí-los aos poucos pelos bubalinos.

Associação

Proença iniciou contatos para formar uma associação reunindo os mais de 50 criadores de búfalos da região. O plantel, espalhado entre Sorocaba, Pilar do Sul e Sarapuí, soma 2 mil cabeças. "O plano é produzir queijos artesanais de sanidade comprovada e entregar diretamente ao consumidor".

Como diretor e presidente da Cooperativa de Laticínios de Sorocaba (Colaso) há muitos anos, ele acumulou conhecimentos sobre os métodos de fabricação de vários tipos de queijos com leite de búfala, desde a mussarela, cujo valor médio é de R$ 10,00 o quilo, até o sofisticado xancrish, uma espécie de queijo sírio, vendido por R$ 18,00 o quilo.

"Esse leite tem elevada taxa de proteína e de lactose, o que faz dele excelente matéria-prima para a produção de queijos". Para isso, há necessidade de produção contínua e em escala. Proença imagina que o mercado regional absorva facilmente a produção de 5 mil búfalas em lactação. "Pretendemos chegar a isso, mas é preciso ter produção contínua para suprir a clientela de forma permanente." Em seu próprio criatório, ele espera ter de 800 a mil cabeças, com produção de 400 a 500 bezerros anuais para integração ou venda.

A búfala dá uma cria por ano e produz leite durante 280 dias. Os melhores bezerros machos são separados para reprodução. Os outros são vendidos para engorda. Tratado a pasto, o novilho chega aos 2 anos pesando em média 15 arrobas. Com um pouco de trato, pode-se abater o búfalo com 25 meses pesando 17,5 arrobas.

Fonte: Suplemento Agrícola - Estado de São Paulo (por José Maria Tomazela), adaptado por Equipe MilkPoint
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