Produtores buscam vigor híbrido, melhor reprodução e maior teor de componentes
O alto nível de consangüinidade em algumas raças mais tradicionais, a elevada taxa de descarte anual e os custos de reposição, especialmente em rebanhos maiores, têm levado produtores de leite nos EUA a avaliar novas alternativas para cruzamentos.
Muitos deles não estão nem esperando os testes em universidades. Os cruzamentos mais populares são Holandês com Jersey, Pardo-Suiço e Ayrshire, aumentando o teor de componentes e a rusticidade (“vigor híbrido”). Porém, há aqueles que estão utilizando raças bem menos conhecidas, como as francesas Normanda e Montbeliarde, raças escandinavas vermelhas e a alemã German Red Angler. As empresas de inseminação artificial estão suprindo o mercado com estes animais.
Dave Smith, produtor em Massachusetts, está inseminando 20 a 30% do seu rebanho holandês com a raça Normando. Sua fazenda produz queijo gouda, entre outros, de forma que o teor de componentes é valorizado. Janice Brown iniciou sua produção a pasto com 40 vacas holandesas e jerseys, no estado de New York, em 1990. Hoje, o rebanho em nada se parece com o original. Ela já utilizou várias raças, como Dutch Belted, Normanda e Milking Shorthorn e está satisfeita com o que chama de “qualidade aleatória da mestiçagem”, dizendo que as vacas estão adaptadas ao pastejo.
Já David Roberts, que ordenha 200 vacas em Idaho, apresenta resultados inconsistentes. Ele inseminou suas Holandesas com touros Jersey, Pardo-Suíço, Normando, Ayrshire, Norwegian Red e Dutch Belted. “Algumas gostamos, outras não“, diz ele, que considera o cruzamento com Normando o mais interessante.
John Carpenter, gerente da Red & White Dairy Cattle Association (RWDCA) afirma que a procura por touros vermelhos de origem européia têm aumentado, sendo as razões desta tendência a busca por maior longevidade (saúde) e fertilidade. A seleção destes animais é baseada em produção de proteína, resistência à mastite, fertilidade e rusticidade, características que, hoje, muitos produtores americanos estão buscando.
Enquanto estes animais não se comparam, por exemplo, às vacas holandesas, em tamanho, estrutura, estilo e produção, há a percepção de que são mais funcionais, saudáveis e, eventualmente, mais rentáveis. Porém, Carpenter considera loucura a utilização de animais da raça Normanda ou Montbeliarde, que geram animais pequenos, arredondados, com baixa caracterização leiteira.
Mike Osmundson, produtor de leite, técnico em inseminação e distribuidor da CRI para o norte da California, discorda. Ele quer ter animais mestiços com 630 kg de peso, com ótimas pernas e pés e que reproduzam todos os anos. Osmundson acha viável ter animais produzindo entre 8800 kg de leite/ano e 9700 kg, com 4,2% de gordura e 3,6% de proteína. Sua estratégia: 1) cruzar vacas Holandesas ou Jerseys com touros Normandos; 2) cruzar os produtos F1 com Norwegian ou Swedish Red; 3) cruzar os produtos F2 com Montbeliarde; 4) cruzar os produtos F3 com Pardo-Suíço, repetindo a seqüência com o Normando. Esta estratégia já foi denominada de Programa Oakdale e será testada em universidades.
Fonte: Hoard’s Dairyman, adaptado por Equipe MilkPoint
Cresce o interesse por raças exóticas nos EUA
Publicado por: MilkPoint
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