Contrariando velhas crenças que não viam futuro na pecuária de leite no Nordeste, a bacia de Pernambuco está crescendo. A produção subiu de 266,1 milhões de litros anuais, em 1999, para 360,2 milhões em 2001, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A região de Garanhuns é o grande pólo e responde por 80% do volume.
A produção cresce impulsionada pela maior concorrência entre grandes laticínios, pelo surgimento de pequenas indústrias e pelos programas governamentais. Para atender a esse mercado, os pequenos produtores formam associações e investem na granelização. E para driblar o tradicional problema dos custos altos, apostam no volumoso que o clima do Nordeste oferece: a palma forrageira.
Embora Pernambuco produza apenas dois terços do leite que consome, 92 gramas de produtos lácteos por habitante /dia, abaixo dos 410 gramas recomendados pela FAO, a região promete nova guinada nos próximos anos, com a opção estratégica feita pela italiana Parmalat.
Nos últimos três anos, a fábrica de Garanhuns vem recebendo investimentos, cujo valor não foi revelado, e a captação está em 140 milhões de litros anuais, o que representa crescimento anual de 9%. O diretor de política leiteira da empresa, Edimílson Vilela, confirma que está em curso uma nova grande ampliação e fontes da região acreditam que a empresa está duplicando a capacidade atual (iria para perto de 280 milhões de litros) e ampliando a gama de produtos, que se restringe hoje a leite longa vida e pasteurizado.
Para atingir os objetivos, a multinacional decidiu diluir os custos e ampliar a escala dos 1,3 mil produtores com os quais trabalha. "No Nordeste, é preciso reduzir o uso de concentrado e aumentar o de volumoso", diz Vilela.
Já a segunda missão da empresa, elevar a escala, é mais trabalhosa. Na região, 80% dos produtores tiram abaixo de 100 litros por dia. A união tem se mostrado o caminho. É o caso dos 150 produtores que formaram no ano passado a Associação dos Criadores e Produtores de Leite de Águas Belas e Região.
Segundo o presidente da entidade, Cláudio de Matos Oliveira Filho, a primeira medida foi instalar nove tanques resfriadores comunitários. De posse de 24 mil litros/dia, a associação ganhou força para negociar. Apesar de a Parmalat ser o único laticínio instalado na região, está longe de trabalhar sem concorrência. Tanto que a associação vende seu leite para a Indústria de Laticínios Palmeira dos Índios (Ilpisa), de Alagoas. "Queremos vender o leite por meio de contrato, mas a Parmalat não quer parceria", disse Oliveira. Vilela argumenta que as associações pensam apenas na parte financeira e não vêem outros benefícios que a empresa oferece.
A concorrência promete aumentar. A Produtos Lácteos do Nordeste (Prolane) tem na gaveta um projeto para a construção de uma fábrica de queijos em Garanhuns. Maior laticínio pernambucano, a Prolane produz seus queijos em Minas e Goiás. "A ampliação da bacia viabiliza o projeto", disse o gerente comercial da empresa, Jurandi Rocha.
Fonte: Valor On Line (por Raquel Landim), adaptado por Equipe MilkPoint
Cresce a pecuária leiteira pernambucana
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