CPI pode ser instaurada para apurar a atual crise do setor lácteo

Publicado por: MilkPoint

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Hoje, a Assembléia Legislativa decidirá se vai instaurar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar a atual crise do setor lácteo no Estado de Goiás. Esta hipótese de investigação surgiu ontem, após sessão especial que pretendia mediar o entendimento entre as indústrias de laticínios e os produtores de leite goianos. Durante o evento, os representantes dos produtores repetiram as acusações de prática de cartel por parte das indústrias do setor que, no último mês, reduziram em até 40% os preços do leite "in natura".

O Sindicato das Indústrias de Laticínios de Goiás (Sindileite) rebateu a acusação, alegando que a crise não acontece só no Estado, mas em todo o País, e que se deve ao excesso de oferta de leite provocado pela queda do consumo. O diretor da Associação Goiana de Supermercados (Agos), Wagner Tavares de Moraes, também rebateu as acusações de produtores e laticínios de que o setor estaria impondo margens excessivas de lucro sobre os produtos lácteos, dizendo que o segmento trabalha com uma margem bruta ao redor de 15%, que depois de deduzidos os impostos e outros encargos, não ultrapassa a 5% ou 6%.

Entretanto, todos os participantes da reunião concordaram que o governo federal pode dar uma contribuição significativa para superar a crise, introduzindo o leite em pó e o longa vida nos seus programas sociais, como a merenda escolar e as cestas básicas distribuídas às populações carentes. As aquisições oficiais promoveria a restauração do equilíbrio entre os custos e os preços pagos ao produtor, ao diminuir o excedente de leite existente no mercado.

Segundo João Bosco Umbelino dos Santos, presidente da Federação da Agricultura do Estado de Goiás (Faeg), as indústrias estão rompendo unilateralmente os contratos com os produtores, avisando com poucos dias de antecedência que deixarão de receber o produto,além de derrubarem os preços do leite de forma injustificada.

Para Leonardo Vilela, secretário da Agricultura de Goiás, o governo apóia o produtor de leite por entender que o aumento da produção gera novos empregos, aumenta a arrecadação e assegura o abastecimento da população. Segundo ele, o governo não tolerará a quebra unilateral dos contratos de fornecimento de leite.

Domingos Vilefort, presidente do Sindileite, negou que exista qualquer movimento de cartelização da indústria de laticínios, ponderando que, só em Goiás, existem mais de 600 empresas atuando no mercado, o que inviabilizaria qualquer tentativa de acertar previamente os preços. Ele reclamou também que os produtores sempre citam o piso de preços do leite "in natura" como se fosse a média, quando, na verdade, o produto está sendo pago a preços que variam de R$ 0,25 a R$ 0,35. Vilefort admitiu que a crise tem reflexos negativos para toda a cadeia produtiva do leite e se dispôs a somar esforços com os demais segmentos em busca de soluções que atendam aos interesses do setor.

Paulo Bernardes, diretor da Comissão de Pecuária Leiteira da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), que também participou do evento, advertiu para a necessidade de se pressionar o governo federal para que inclua o leite em pó e o longa vida nos seus programas sociais. Ele pediu ao presidente da Assembléia, Sebastião Tejota, e ao secretário da Agricultura, Leonardo Vilela, que ajudem a assegurar audiência que terá hoje, com o ministro da Reforma Agrária, Raul Jugmam, responsável pelo programa de cestas básicas.

fonte: O Popular/GO (por Edimilson de Souza Lima), adaptado por Equipe MilkPoint
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