A Comissão Parlamentar de Inquérito do Preço do Leite (CPI do Leite) de Minas Gerais, quer acabar com o nome "leite modificado" empregado para especificar produtos à base de leite adicionado de componentes variados, em forma de pó ou fluido. Os parlamentares mineiros defendem que a indicação de "leite" seja restrita à identificação do produto in natura, pasteurizado ou longa vida.
Em meio a denúncias de elevado teor de soro de leite na composição destes produtos, a CPI ouviu instituições ligadas à produção e comercialização de laticínios, e encaminhou a sugestão ao Ministério da Agricultura na última sexta-feira.
A posição da CPI foi uma das recomendações recebidas pelo Ministério na consulta pública iniciada em agosto do ano passado, sobre o leite modificado. O presidente da comissão, deputado João Batista de Oliveira (PDT), ao reabrir ontem os trabalhos da equipe, suspensos em função do recesso de final de ano, argumentou que os produtos modificados devem ser rotulados como complexo lácteo ou bebida láctea natural, ou similares, para que o consumidor seja informado com clareza sobre a composição.
Distorção
Na reabertura dos trabalhos da CPI, também foi divulgada pesquisa realizada nos últimos dois dias, confirmando que o leite continua barato para o produtor, apesar de estar mais caro para consumidor. Da porteira da fazenda ao supermercado, o leite fica 400% mais caro, R$ 0,96 a mais que o preço pago ao produtor, em média de R$ 0,24, de acordo com o levantamento. Ao contrário do que apontam produtores de maior porte e alguns laticínios de Minas Gerais, a CPI não verificou recuperação dos preços, que estaria elevando o valor pago aos pecuaristas para próximo de R$ 0,40 por litro de leite.
Na ponta do consumo, em Belo Horizonte, a pesquisa do dia mostrava preço médio de R$ 1,20 o litro. "O preço ao produtor continua baixo, em média de R$ 0,24, de acordo com valores fornecidos pelos sindicatos rurais de Paracatu, Machado, Juiz de Fora, Curvelo, Uberaba, Montes Claros, Teófilo Otoni e Passos", frisou o deputado.
A CPI propôs a criação de normas de composição de preço do leite, que estabeleçam a participação por setor em patamares semelhantes aos praticados nos Estados Unidos, para reverter o quadro brasileiro. Lá, garantiu João Batista de Oliveira, cerca de 43% do preço do leite é destinado ao produtor, 38% à indústria e 19% ao comércio. Hoje o produtor recebe em torno de 20% do preço final do produto, enquanto a indústria fica com mais de 40% e o varejo com o restante.
Até 15 de março, a CPI pretende realizar a acareação de representantes das indústrias Nestlé, Parmalat, Itambé e Danone, com dois ex-diretores da Cooperativa de Produtores Rurais de Divinópolis, que acusam os laticínios de cartelização. Em reunião da CPI em Divinópolis, no dia 26 de novembro do ano passado, dois dirigentes da cooperativa disseram ter sido convidados pelas indústrias para uma reunião em que seria definido o preço do leite para os produtores. Até então, a CPI contava apenas com indícios de formação de cartel, e esta acareação, segundo Batista, pode oferecer uma prova importante da existência de acordo de preços entre as empresas.
Fonte: Hoje em Dia/MG (por Tânia Araújo), adaptado por Equipe MilkPoint
CPI do leite de MG quer extinguir nome "leite modificado"
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