CPI do Leite de MG pode acionar Justiça contra fraudadores

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O deputado João Batista de Oliveira, presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Leite da Assembléia Legislativa de Minas Gerais, ameaçou apontar criminalmente os envolvidos em fraudes nos preços do leite, alegando que existe contradição nos valores anunciados e nos documentos contábeis. Ontem, foi realizada a primeira Audiência Pública da CPI do Leite no município mineiro de Montes Claros, quando dirigentes dos laticínios, cooperativas, panificadoras e supermercados prestaram esclarecimentos.

A pesquisa encomendada pela Assembléia Legislativa mostra que os menores preços do leite em Minas Gerais são de produtos vindos do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Goiás, sugerindo que possa haver manipulação. Oliveira está acionando as assembléias legislativas destes estados para checar se há diferença de preços lá e aqui.

A audiência pública atraiu um máximo de 50 pecuaristas do norte de Minas Gerais, apesar de o setor responder pela principal atividade econômica da região. Estavam presentes os seis deputados estaduais do norte do Estado.

Segundo o presidente da Cooperativa Agropecuária Regional de Montes Claros (Cooapagro), a alta carga tributária - de R$ 0,15 por litro de leite - e o preço da embalagem - de R$ 0,23 por litro - são os fatores que impedem uma melhor remuneração para o produtor rural, já que o leite chega à rede comercial por R$ 0,66. Ele mostrou que, no início do Plano Real, o produtor recebia US$ 0,26 pelo leite, contra apenas US$ 0,11 a US$ 0,12 hoje, e que a ação da CPI do Leite já surtiu algum efeito, com a queda no preço para os consumidores.

Nestlé

Porém, Pedro Simão, gerente da Nestlé, cuja fábrica absorve 70% do leite produzido no norte de Minas, nega qualquer interferência da fábrica nos preços e lembra que eles são anunciados com antecedência. Ele mostrou que o preço médio pago é de R$ 0,33, incluindo os benefícios oferecidos, ou seja, os R$ 0,19 básicos mais os adicionais, chegando a R$ 0,35 para quem fornece mais de mil litros/dia, e a R$ 0,33 para quem produz 600 l/dia. Simão garantiu ainda que a indústria comprou, até agora, 27% a mais de leite no Norte de Minas, com aumento de 13% no preço final.

Fonte: Hoje em Dia/MG (por Girleno Alencar), adaptado por Equipe MilkPoint
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