Ontem, representantes dos supermercados foram ouvidos pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Preço do Leite da Assembléia Legislativa de Minas Gerais. Estes foram enviados pelos supermercados Carrefour/Champion, Wall Mart, Via Brasil, Extra e Epa/Mart Plus, e tiveram de apresentar aos deputados notas fiscais de compra de leite longa vida que foram confrontadas com os cupons fiscais de venda no varejo. Porém, a análise feita pelo deputado Antônio Andrade (PMDB), constatou que a variação entre o preço de compra e de venda chegou a 45,5%.
Andrade comparou as notas fiscais de compra exibidas por Gotardo Gomes de Castro, gerente de contabilidade do Carrefour. As notas foram colhidas entre os dias 30 de agosto e 3 de setembro, com os cupons de venda da mesma empresa, com data de ontem. Castro havia afirmado que a margem bruta da empresa na comercialização do leite longa vida varia entre 7% e 15%. Porém, o deputado constatou que o percentual chega a 45,5%.
Para tanto, ele comparou as seguintes notas: o leite Elegê foi comprado pelo Carrefour por R$ 0,79 o litro e vendido por R$ 1,15; o produto da marca Parmalat foi comprado por R$ 0,84 e comercializada por R$ 1,15, ou seja, uma margem bruta de 36,9%; já a variação de compra e venda do leite longa vida Itambé foi de 30%.
Segundo João Batista de Oliveira, presidente da CPI, os representantes dos supermercados enviados para depor perante a CPI não detinham as informações necessárias para esclarecer, em profundidade, as dúvidas existentes. De uma maneira geral, eles disseram que não sabiam sobre as negociações entre as indústrias e os supermercados, esclarecimentos esses que, somente seriam obtidos com a direção da matriz. Por isso, os membros da CPI decidiram convocar novamente os supermercadistas, ainda sem data definida.
Segundo o presidente da Associação Mineira de Supermercados (Amis), Antônio Claret Nametala, a Amis não participa de negociações entre supermercados e indústrias. Ele disse que foi feita uma rápida pesquisa junto a um supermercado, sendo constatado que as indústrias reduziram os preço de venda do litro do leite no último ano. A Itambé, em agosto de 2000, vendia o litro por R$ 1,20, enquanto no mesmo mês deste ano o comercializou por R$ 1,00. A Cotochés, que em agosto de 2001 vendeu o litro por R$ 0,90, no mesmo período do ano passado o comercializou por R$ 1,00. Já a Parmalat, vendeu o produto por R$ 0,89, contra R$ 1,26 no ano passado.
Fonte: Superávit (por Adriana Duarte), adaptado por Equipe MilkPoint
CPI de MG detecta variação do preço entre compra e venda de leite pelos supermercados de até 45,5%
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