Cotação do leite cresce 7,7% em trinta dias
Publicado por: MilkPoint
Publicado em: - 2 minutos de leitura
Os preços do leite recebidos pelos produtores estão em alta, mas há indícios de que a curva de valorização pode ter chegado ao fim. Para a produção de abril paga em maio, o preço médio do litro de leite tipo C subiu 7,7% no País, passando de R$ 0,32 em março para R$ 0,35, conforme levantamento efetuado pela Scot Consultoria. Em Minas Gerais, principal bacia leiteira do Brasil, a alta foi de 8%. A valorização chegou a 8,6% em Goiás e 8,5% em São Paulo.
Mas os produtores estão longe de comemorar. A tendência para o próximo de mês é de estabilidade. Especialistas do setor aguardam fenômeno semelhante ao que ocorreu em 2001: queda de preços durante a safra, que dura de outubro a março. "Temos receio de que caia mais que no ano passado", diz o analista Gustavo Beduschi.
Volatilidade
De dezembro de 2000 a maio de 2001, os preços do leite tipo C pago ao produtor em São Paulo subiram 18,5%, segundo os dados da Scot Consultoria. De maio a dezembro, houve inversão e a baixa nos preços foi acentuada: 28,4%. De dezembro de 2001 até abril deste ano a valorização já atingiu 25,9%.
"O padrão de oscilação de preços está muito forte", explica o professor da USP, Luís Fernando Laranja. "Quando o preço do leite sobe de forma muito abrupta é preciso tomar cuidado".
O primeiro sinal veio do consumidor. No mercado atacadista de São Paulo o preço do litro de leite longa vida caiu em média 1% em maio. No varejo a baixa foi de 1,9%. A crise econômica do País está afetando o setor. O impacto do Plano Real acabou faz tempo e, nos últimos três anos, o poder aquisitivo da classe baixa está muito reduzido. "Se o preço sobe muito, o consumidor desaparece", afirma.
Na outra ponta, a questão da oferta é incógnita. Para Beduschi, a produção caiu em plena safra, pois, desanimado pela forte crise do ano anterior, o produtor não investiu o necessário no rebanho.
Especula-se no mercado, inclusive, que a indústria estaria estocando leite durante a safra, na forma de leite em pó, para ter poder de barganha na entressafra.
Já Laranja diz que a produção brasileira cresceu muito em 2001. A aprovação de medidas antidumping no início do ano, notadamente contra o leite em pó da Argentina e também da Europa, estimulou muito o setor. A produção cresceu 5% e já chega a 21 bilhões de litros.
Com isso, os efeitos positivos das medidas foram neutralizados pelo excesso de produção e pela redução do consumo. A exportação, que poderia ser uma válvula de escape, ainda é muito incipiente. As vendas externas chegaram a 13 milhões de litros em 2000, 25 milhões em 2001 e estimam-se 50 milhões para 2002. Mas os preços estão em queda. A tonelada de leite em pó caiu 30% em 12 meses, para US$ 1,3 mil a tonelada.
Fonte: Gazeta Mercantil (por Raquel Landim), adaptado por Equipe MilkPoint
Para continuar lendo o conteúdo entre com sua conta ou cadastre-se no MilkPoint.
Tenha acesso a conteúdos exclusivos gratuitamente!
Publicado por:
MilkPoint
O MilkPoint é maior portal sobre mercado lácteo do Brasil. Especialista em informações do agronegócio, cadeia leiteira, indústria de laticínios e outros.
Deixe sua opinião!

VILA REAL - VILA REAL - PESQUISA/ENSINO
EM 10/06/2002